Por Marta Oliveira Panão

A imagem que normalmente se utiliza para medir o impacte das nossas ações na utilização dos recursos e repercussão no ambiente e no clima é a pegada. Fala-se de pegada energética, carbónica, ecológica, etc., consoante o objetivo da avaliação. Talvez já nos tenhamos questionado de como poderemos reduzir a nossa pegada no quotidiano.
Para nos ajudar a discernir o que é necessário, tomemos o exemplo das plantas. Essas absorvem do solo apenas a água e os sais minerais que precisam e não mais do que o necessário. Para além disso, o Sol é a fonte de energia por excelência no processo da fotossíntese. Em todo o planeta, estima-se que, num ano, as plantas e todos os organismos vivos que realizam a fotossíntese absorvem 1300 exajoules. Este número poderá ter mais significado quando comparado com a quantidade de energia solar que anualmente atinge o nosso planeta: 5400 mil exajoules, ou seja 0,02% de toda a energia solar disponível.
Será que a energia de que necessitamos globalmente para satisfazer as necessidades anuais é superior à das plantas? Em 2022, o consumo mundial anual de energia primária era aproximadamente 600 exajoules (o que equivale a 168 mil TWh).
O que podemos aprender com as plantas que utilizam duas vezes mais energia do que os seres humanos? A energia que utilizam é totalmente solar, uma fonte inesgotável de energia (pelo menos na nossa escala de tempo). Para além disso, essas funcionam como grandes “armazéns” de energia, pois captam energia durante o dia e utilizam-na para o seu metabolismo, mesmo nos períodos sem radiação solar.
O conceito de Energia Zero que marca actualmente as políticas europeias e internacionais rumo a 2050, baseia-se exactamente neste princípio: reduzir o consumo de energia ao necessário, beneficiar das fontes renováveis de energia e armazenar a energia como solução para a intermitência das fontes de energia renovável. Pensar Zero é, pois, muito mais do que um simples não consumir, é encontrar o verdadeiro equilíbrio com o meio ambiente. Pegada Zero é, assim, o título de uma partilha de ideias, que vai acontecer nestas páginas, sobre como podemos dar mais atenção às ações do quotidiano.
Adaptado de Pegada Zero, Cidade Nova, Janeiro 2020.
Quem é Marta Oliveira Panão
Desde cedo demonstrou entusiamo pela Física, que estudou no Instituto Superior Técnico. Os primeiros anos da Faculdade, no início dos anos 90, despertaram o interesse pelas questões da sustentabilidade do planeta com a discussão dos “Limites do Crescimento” (1972). Doutorada na área da energia nos edifícios, leciona em Ciências da Universidade de Lisboa disciplinas como eficiência energética e edifícios sustentáveis. Casada e mãe de 3 filhos. A Pegada Zero começou a ser publicada na revista Cidade Nova do Movimento dos Focolares em Janeiro de 2020. Surgiu para dar vida a um espaço de partilha e ampliar as nossas ações positivas. A Pegada Zero quer tornar as questões da energia e do ambiente acessíveis a todos.
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