E se não respondo ao chamamento? O que acontece?

Neste mês dedicado à santidade, somos convidados a redescobrir que a nossa vocação é também o caminho pelo qual o Senhor nos santifica. A santidade vive-se no quotidiano, nas escolhas concretas de cada dia, nas respostas de amor que damos a Deus e aos irmãos.

Mas o que acontece quando não respondemos a um chamamento? Pode alguém ser feliz se não acolher a vocação que o Senhor lhe propõe?

Somos filhos, não escravos

De Pavia escreve-me Luigi, 38 anos, felizmente casado e com dois filhos. Conta-me que, na juventude, “escapou” — por imaturidade, diz ele — a um possível chamamento à vida religiosa. Por isso, sente-se por vezes oprimido pelos remorsos e com receio do julgamento de Deus.

A este propósito — e como também lhe escrevi pessoalmente — quero dizer a todos: quando Deus chama alguém a segui-lo numa vocação particular, como a vida consagrada, nunca impõe, nunca obriga, nunca retira a liberdade.

O Senhor trata-nos como filhos, não como escravos. Propõe com mansidão, sugere, convida. Diz: “Se alguém quiser vir comigo…” — eis as palavras do Evangelho sobre o seguimento.

Providência, não destino

É importante distinguir a Providência divina do destino ou da fatalidade.
A mentalidade pagã — em que todos nós, consciente ou inconscientemente, estamos um pouco mergulhados — leva-nos a pensar que a nossa vida está já escrita, como se seguíssemos um destino pré-determinado.

Mas Deus não age assim. Ele sonha um projeto para cada um de nós, mas sempre cruzando-o com a nossa liberdade e responsabilidade.
Nunca impõe, nunca força: deseja um diálogo, um encontro pessoal, uma relação de amor.

A santidade: a primeira vocação

O Senhor convida e propõe caminhos com infinito respeito. E se um chamamento particular — por tantos motivos — não é escutado, compreendido ou seguido, Deus continua a abrir-nos novos caminhos de santidade, a nossa vocação primeira, recebida no Batismo.

Deus não renega ninguém. Cuida sempre dos seus filhos e não quer que nenhum se perca.
Por isso, não digamos: “Fui abandonado pelo Senhor, porque não fiz o que Ele queria. Agora é tarde.”

Não. O Senhor continua a dar-Se, mesmo àqueles que, em certos momentos, não souberam escutar ou seguir o caminho proposto. Ele conhece bem os nossos limites, as imaturidades e as feridas que, tantas vezes, nos impedem de dar determinados passos.

O “GPS” vocacional

Deus oferece-nos sempre um caminho de plenitude e de santidade, quaisquer que tenham sido as escolhas passadas — como um GPS que recalcula a rota quando o carro muda de direção.

Mas, para que esse “recalcular” funcione, é preciso estarmos ligados a Ele, confiarmos n’Ele, escutarmos a Sua voz. Às vezes, isso pede um caminho de conversão e de regresso ao Senhor.

Quando nos afastamos e desligamos de Deus — por desconfiança, desilusão ou revolta —, esse “GPS vocacional” deixa de orientar. E corremos o risco de entrar em becos sem saída, de viver metas parciais e escolhas inacabadas.

Conclusão

Confiemos no Senhor — sempre e em qualquer circunstância.
Mesmo que tenhamos errado ou tomado outros rumos, Ele nunca nos abandona.

O amor de Deus é maior do que os nossos medos e enganos.
E com Ele, a santidade é sempre possível, hoje e agora, no caminho onde cada um se encontra.

Frei Alberto Tortelli

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