Por Simone Caleffi (jornalista do Vatican News)
Traduzido e adaptado por Frei José Augusto
Janeiro, mês da paz
Neste mês de janeiro, que dedicamos de modo especial à paz, olhamos para uma das figuras mais luminosas da história cristã. São Francisco de Assis continua a falar ao coração do mundo como mensageiro de paz, num tempo marcado por conflitos, divisões e violência.
Um santo profundamente humano
Entre os muitos santos que a Itália ofereceu à Igreja, Francisco de Assis ocupa um lugar único. Foi chamado “o mais santo dos italianos e o mais italiano dos santos”. Mas a sua história recorda-nos algo essencial: Francisco não nasceu santo. Como todos nós, era um homem em caminho.
Jovem inquieto, seduzido pela glória, pela guerra e pelo sucesso, experimentou a fragilidade e o fracasso. As batalhas entre cidades italianas mostraram-lhe os limites da violência e da ambição humana. Foi precisamente na sua fraqueza que se abriu ao encontro com Deus.
O encontro que muda tudo
A conversão de Francisco nasce de encontros concretos. O Crucifixo de São Damião, que lhe fala ao coração. O leproso, que ele abraça e beija. A partir daí, tudo muda. O jovem que procurava vencer descobre que a verdadeira força nasce da entrega.
Os amigos estranham esta mudança radical. A tradição conta que, perguntando a Clara se Francisco teria enlouquecido, ela respondeu com simplicidade que talvez fosse antes, e não agora. A loucura do Evangelho começava a transformar a sua vida.
A paz que nasce da Encarnação
Francisco compreendeu profundamente o mistério do Natal. Ao criar o presépio em Greccio, mostrou que a Encarnação não é apenas algo para contemplar, mas um compromisso a viver. Naquela noite ressoou o anúncio dos anjos:
“Paz na terra aos homens amados do Senhor.”
Para Francisco, esta paz não podia ficar nas palavras. Tornou-se um estilo de vida. A paz nasce quando se acolhe um Deus que se faz pequeno e pobre, próximo de todos.
Da guerra à fraternidade
Da experiência da guerra, Francisco passou à fraternidade. Começou a anunciar uma paz que abraça todos: homens e mulheres, pobres e ricos, crentes e não crentes, e até todas as criaturas.
A guerra destrói não só vidas humanas, mas também a harmonia da criação. Francisco, ao contrário, louva Deus por tudo o que existe. Até a morte corporal se torna irmã. Quem poderia temer uma irmã?
Um apelo atual
Num mundo ferido por conflitos, São Francisco continua a lembrar-nos que a paz é possível, mas exige conversão, humildade e fraternidade. Janeiro, mês da paz, convida-nos a retomar este caminho simples e exigente: deixar a lógica da guerra para abraçar a lógica do Evangelho.
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