P. Plácido Cortese

por frei Alberto Tortelli

Neste mês de janeiro, em que refletimos sobre a paz, recordamos a vida de P. Plácido Cortese, frade franciscano que enfrentou a violência da guerra com a força silenciosa do Evangelho. A sua história mostra-nos que a paz constrói-se com gestos concretos, mesmo quando o mundo parece dominado pelo ódio.

Um frade que escolheu a paz

P. Plácido Cortese nasceu em 1907 na ilha de Cherso e entrou ainda jovem na vida franciscana. Desde cedo viveu um amor profundo pela fé e pelo serviço aos mais frágeis. Como frade, sacerdote e diretor do Messaggero di Sant’Antonio, era conhecido pela simplicidade, pela alegria e pelo cuidado com quem sofria.

Quando a Segunda Guerra Mundial rebentou, P. Plácido não se manteve neutro nem calado. Sem violência, sem armas e sem propaganda, escolheu o caminho da paz ativa: proteger vidas. Organizou uma rede secreta que salvou centenas de judeus, perseguidos políticos, prisioneiros e refugiados. Recolhia roupas, comida, dinheiro, organizava viagens clandestinas e criava documentos falsos para que muitos pudessem fugir para a Suíça.

Tudo era feito em silêncio, sem protagonismo, sem deixar rasto. Era a paz vivida com coragem, inteligência e compaixão.

“Mártir do silêncio”

A sua atividade não passou despercebida às forças nazis. Em outubro de 1944, foi sequestrado pelas SS e levado para a sede da Gestapo, em Trieste. Durante semanas foi torturado para revelar nomes e locais. Nunca falou. Nunca denunciou ninguém.

Testemunhas lembram-no rezando baixinho, sereno apesar da dor, fiel até ao fim. Morreu aos 37 anos, desaparecido sem sepultura conhecida. Hoje é reconhecido como Servo de Deus, e a sua causa de beatificação está em curso.

Um exemplo para quem procura a própria vocação

A vida de P. Plácido lembra-nos que a vocação cristã — religiosa ou laical — é sempre um caminho de entrega e verdade. Ele viveu o Evangelho até ao extremo: proteger os inocentes, defender os perseguidos, oferecer paz numa época dominada pelo ódio.

No início deste ano, olhando para ele, perguntamo-nos também:

Que paz estou eu a construir?
Que vida estou eu a proteger?
A quem Deus me pede para estender a mão?

A paz nasce de gestos pequenos, mas fiéis. Tal como P. Plácido, somos chamados a escolher o bem, a justiça e a misericórdia, mesmo quando custa.

Se sentes no teu coração um desejo de servir, escuta-o com coragem. O Senhor continua a chamar pessoas que, como ele, querem viver a paz do Evangelho com simplicidade e entrega.

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