Um desejo vivo: apontamentos sobre a vocação

Por frei Alberto Tortelli
Tradução livre Frei José Augusto Marques

Falamos muitas vezes de vocação. E talvez seja preciso repetir: a vocação é o sentido da tua vida.

A palavra vocação significa “chamamento”. Deus chama cada pessoa. Confia a cada um uma missão. A felicidade não está em fazer qualquer coisa, mas em descobrir para que foste criado.

Sem sentido, a vida torna-se pesada. Quando alguém vive fora da própria vocação, instala-se o vazio. A Bíblia chama a isso “errar a mira”. É como caminhar fora da estrada.

Pelo contrário, quando alguém encontra o seu lugar, nota-se. Vive em paz. Sabe usar as próprias capacidades e aceitar os próprios limites. Está onde deve estar.

Hoje existe muito vazio existencial. Muitos tentam preenchê-lo com excesso de atividades, distrações, ruído. Mas nada disso resolve. O coração humano precisa de significado.

Há ainda um erro frequente: pensar que a vocação é só para padres ou religiosas. Não é verdade. O Concílio Vaticano II recordou com clareza que todos somos chamados. Todos. A santidade não é privilégio de alguns. É o sonho de Deus para cada pessoa.

Foste criado para amar e para viver em plenitude. Não para sobreviver.

Descobrir a vocação exige escuta e discernimento. Deus não joga às escondidas. Quer comunicar-se. O problema não é Ele não falar. Muitas vezes somos nós que não queremos ouvir.

Por isso, procura o silêncio. Afasta o ruído. Entra dentro de ti. Escuta.

Se tiveres vontade sincera de conhecer a vontade de Deus e lealdade para a reconhecer, o caminho torna-se mais claro.

A vocação não é um peso. É um desejo vivo que Deus colocou em ti.

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