Um mês diferente
Outubro é sempre um mês especial. Mas este ainda mais. Celebramos os 800 anos da morte de Francisco de Assis, no contexto de um verdadeiro jubileu franciscano. Não é apenas memória. É um convite a voltar a uma vida que continua a provocar, a inquietar e a iluminar.
Mais do que uma imagem bonita
Quando pensamos em São Francisco, corremos o risco de o suavizar. Torná-lo uma figura doce, quase inofensiva. Mas a verdade é outra. Francisco não foi um homem “bonito” no sentido romântico. Foi um homem livre. E a liberdade, quando é verdadeira, raramente é confortável.
Se o encontrássemos no seu tempo, provavelmente não nos deixaria tranquilos. A sua forma de viver era simples por fora, mas exigente por dentro. Não procurava agradar. Procurava ser fiel.
Como escreve Dom Felice Accrocca, atual bispo de Assis, “tudo nele sugeria uma leveza transparente… uma matéria que procura tornar-se espírito”. Há aqui algo decisivo: a vida dele não era teoria. Era transformação.
Viver como Cristo, sem atalhos
Francisco não quis apenas acreditar em Cristo. Quis viver como Ele. E isso levou-o a escolhas concretas, visíveis, exigentes: deixar seguranças, abraçar a pobreza, aproximar-se dos últimos, viver sem máscaras.
Aquilo que aos olhos do mundo parecia exagero, para ele era simplesmente coerência.
Um contraste com o nosso tempo
Vivemos num tempo em que se valoriza muito a imagem, o controlo, o reconhecimento. Francisco segue no sentido contrário. Escolhe a simplicidade. Escolhe depender de Deus. Escolhe uma vida desarmada.
E talvez seja isso que mais nos toca hoje. Não tanto aquilo que ele fez, mas a forma como viveu: com inteireza.
Uma fé provada na vida real
Ele não fugiu da sua humanidade. Viveu-a até ao fundo, com fragilidades, com doença, com cansaço. E mesmo assim, deixou nascer um louvor que ainda hoje atravessa os séculos.
No fim da sua vida, marcado pela dor e quase cego, não se fechou sobre si. Rezou, cantou, agradeceu. O seu Cântico das Criaturas não é poesia ingénua. É fé provada.
Uma pergunta que fica
Este jubileu não serve apenas para recordar Francisco. Serve para nos perguntarmos seriamente o que fazemos com a nossa vida.
Porque no fundo, a questão permanece simples e exigente:
Estamos a viver de forma confortável… ou de forma verdadeira?
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