Estou em crise: o que devo fazer?

5 instrumentos para ti



 

de fra Nico Melato

Acontece a todos, mais cedo ou mais tarde, de viver uma crise. Na fé, nas relações, nas escolhas… também no discernimento vocacional. Não é estranho, não é errado, não é culpa tua. Faz parte do caminho.

Sim, as crises fazem parte do caminho. Quer queiramos ou não. Certamente não são desejáveis, e esperamos que estejam bem longe… mas quando chegam, o que fazer?

Normalmente gostaríamos de tentar evitá-las de todos os modos… ou então, se estamos metidos nelas, convencemo-nos que errámos tudo, que praticamente perdemos o jogo, etc…

O ponto, porém, não é evitar as crises, mas como atravessá-las sem perder a bussola. Aqui proponho-te cinco instrumentos simples para viver com confiança, também dentro de uma crise!

A primeira coisa a fazer é não se assustar. A crise chega quando alguma coisa dentro de nós está mudando, quando as velhas seguranças não bastam mais e estamos à procura de alguma coisa mais profunda.

Por este motivo a crise é uma passagem, não um fracasso. Não significa que erraste tudo! Pelo contrário, talvez signifique precisamente que te estás preparando para um salto de qualidade, se calhar é precisamente sinal de que estás a crescer. Como acontece na natureza: a semente, para produzir fruto, primeiro deve apodrecer; o rebento, para florir, primeiro deve romper-se…

Uma crise vivida sozinhos corre o risco de se tornar um labirinto, um beco cego…. Corre o risco de nos sobrecarregar e por fim deixar-nos inermes e sem forças! Falar ajuda a colocar ordem, a dar a justa dimensão aos vários elementos, a recuperar espaços de lucidez e de liberdade. Falar disso ajuda-te a recuperar conhecimento, que é o teu mais caro aleado nos momentos de desorientação, onde os nossos fantasmas interiores procuram levar a melhor!

Não se trata de encontrar logo soluções, ou caminhos de fuga, mas de poder falar disso, de poder ser ouvidos. Encontra alguém com quem podes ser honesto: um amigo verdadeiro, um guia espiritual

A regra é sempre a mesma, que vale para todo o discernimento vocacional: nunca sozinhos! Nunca sozinhos!

Quando estás no meio da confusão, não decidas nada de radical, não tomes decisões apresadas. Fica onde estás. Continua a rezar, mesmo se não sentes nada. Leva para a frente as tuas responsabilidades quotidianas, mesmo se te parecem áridas. Espera.

As decisões importantes tomam-se à luz, não no escuro. A crise deve ser atravessada com paciência, sabendo que, como toda a noite, por mais longa que possa ser, termina sempre com uma nova aurora.  A luz volta sempre.

Pergunta-te: o que é que me tinha acendido o coração no início? O que é que me tinha feito dizer “sim”?  por vezes uma crise põe-te diante de novas perguntas, mas as primeiras motivações não são para deitar fora: são as sementes boas donde pode nascer alguma coisa de novo.

Relê os teus apontamentos, retoma os versículos que te tinham impressionado, volta àquele momento em que te tinhas sentido chamado/a. O Senhor não se arrepende dos seus chamamentos, mesmo se o teu caminho muda forma e andamento. Fazer memória é a ação típica do crente!

Também quando não percebes para onde é que estás a ir, não pares de todo. Uma crise é como um caminho envolvido no nevoeiro: se páras, perdes a orientação. Se pelo contrário dás um passo de cada vez, mesmo pequeno, na direção que tinhas já iniciado, a estrada esclarece-se um pouco de cada vez, explana-se lentamente sob os teus pés.

Então fica em caminho. Possivelmente abranda, ganha tempo, mas vive. Não te aninhes nas malenconias e nas perguntas (que também devem ser ouvidas), mas fica no teu presente, nas incumbências de todos os dias, nas relações. Continua a rezar. Continua a procurar. Continua a amar. A fidelidade às pequenas coisas quotidianas será a tua âncora na tempestade.

As crises metem medo, sim, mas são também a ocasião para renascer de modo mais autêntico. Muitas vezes precisamente dali o Senhor nos fala mais claramente. Deixa que te sacuda, que te purifique, que te faça crescer. Recorda que também Jesus viveu as suas crises profundas (recordas o horto das oliveiras?), e, contudo, dali passou a salvação!

Que o Senhor, que conhece as profundidades do nosso coração, nos tenha pela mão, todos os dias, também no nevoeiro!

fra Nico

– franico@vocazionefrancescana.org

Para mais informações podes contactar:


frei José Carlos Matias – Viseu

tel. 232. 431 985             ou freizecarlos@gmail.com

frei André Scalvini – Lisboa                                                

tel. 21. 837 69 69            ou  andreasfrater4@gmail.com  

frei Fabrizio Bordin – Coimbra

tel. 239. 71 39 38              ou freifabri@gmail.com

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