
Por frei Alessandro Perissinotto
Tradução livre de Frei José Augusto Marques
A Quaresma começa todos os anos com um gesto simples e forte: a imposição das cinzas.
A cinza recorda-nos a verdade da nossa condição. Somos pó e ao pó voltaremos. Tudo o que parece sólido passa. A cinza fala-nos da fragilidade humana, mas também da necessidade de conversão.
Na Bíblia, sentar-se sobre a cinza é sinal de arrependimento e purificação. O rei de Nínive, depois da pregação de Jonas, cobre-se de saco e senta-se sobre a cinza. Job faz o mesmo na sua dor. A cinza é humildade diante de Deus.
Na Quarta-feira de Cinzas escutamos duas frases fortes:
“Recorda-te que és pó e ao pó voltarás”
ou
“Convertei-vos e acreditai no Evangelho”.
A Quaresma é tempo favorável para recomeçar. Não é tristeza, é verdade. É oportunidade de recentrar a vida no essencial.
O Evangelho propõe três caminhos: jejum, oração e esmola.
O jejum não é apenas deixar de comer. É aprender a dominar o egoísmo e viver com mais sobriedade.
A oração é o diálogo que transforma o coração.
A esmola é partilha concreta, não só de dinheiro, mas de tempo, atenção e cuidado.
São Francisco viveu este espírito de forma radical. Fazia várias Quaresmas ao longo do ano e escolheu um hábito da cor da cinza para recordar a penitência, a pobreza e a humildade.
Há um episódio significativo. Ao ir pregar a Santa Clara e às irmãs, em vez de fazer um discurso, desenhou um círculo de cinza à sua volta e colocou cinza sobre a cabeça. Depois recitou o salmo Miserere e partiu em silêncio.
Com esse gesto recordava que não era ele o centro. A Palavra era mais importante do que o pregador. A cinza tornava-se sinal de humildade e verdade.
Também a nós, este sinal interpela.
Porque fazemos o que fazemos?
Buscamos realmente Deus ou procuramos reconhecimento?
A cinza não é um gesto exterior. É um convite a um coração mais simples, mais humilde e mais livre.
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