Por frei André dia 4 de Outubro
No verão passado, partilhámos com os jovens de Portugal uma experiência marcante: o Jubileu, que tocou profundamente as nossas vidas e o nosso caminho de fé. Tivemos a graça de passar uns dias em Assis, respirando a atmosfera e a espiritualidade do santo pobrezinho – um homem que encontrou a humildade após o sucesso, a pobreza após a riqueza e, acima de tudo, Cristo após uma vida vazia e sem rumo.

Na lindíssima Basílica de São Francisco, que guarda os seus restos mortais, rezámos e refletimos sobre o legado que ele nos deixou, ainda tão atual. Visitámos também os lugares que marcaram a sua conversão e o testemunho de Cristo. A vida de Francisco foi, essencialmente, amor a Cristo e paixão pelo Evangelho. Essa revolução do coração levou-o a contagiar irmãos e irmãs, que perpetuaram o carisma por ele fundado: o dos Frades Menores, irmãos unidos pela caridade de Cristo e pela Verdade da Palavra que ilumina.

Para São Francisco, “irmão” não era mera palavra, mas presença e relação subordinada à relação por excelência: a com Deus. Ele compôs o que se tornou um dos maiores poemas da língua italiana: o Cântico das Criaturas. É precisamente por essa consciência e prática que ele vivia. O aniversário do Cântico das Criaturas não é só recordação ou celebração, mas uma oportunidade preciosa no nosso contexto social para redescobrir que a fé autêntica não é inimiga da cultura e da beleza.

A etimologia de “cultura” recorda-nos a sua ligação inseparável ao “culto” – a relação com Aquele que é a nossa origem e meta no amor. É belo celebrar esta unidade entre fé e beleza, espiritualidade e arte, como testemunha o Cântico do Irmão Sol de São Francisco. Hoje, quando a fé parece incompatível com a liberdade pessoal, a criatividade, a obediência, o amor e a espiritualidade comunitária, o Cântico prova que a fé – aceitação do radical Outro e de todos os outros n’Ele – promove crescimento autêntico e bênção para o crente, a sociedade, os indivíduos e a comunidade.

São Francisco de Assis deixou um legado espiritual único. A sua oposição à ganância e à corrupção, aliada ao amor pela criação, continua a inspirar cristãos. Ao longo dos séculos, tornou-se símbolo de uma fé autêntica e radical, longe de compromissos com o poder. Representa a coragem de ir contra a maré, desafiando a ordem estabelecida em nome da verdade evangélica. Os seus ensinamentos, imbuídos de amor pelos outros e pela natureza, inspiram gerações de fiéis e não só. Hoje, como outrora, recorda-nos que a verdadeira riqueza está na simplicidade e no respeito por cada criatura viva. Que esta festa nos leve a experimentar a alegria que ele viveu no louvor ao Deus Criador e amante de todo o mundo criado.
frei André Scalvini
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