Por: frei Sławomir Klein
Tradução: Frei Zé Augusto
Neste mês de dezembro contemplamos de forma especial a humildade de Deus.
Aquele que é o Altíssimo faz-se pequeno.
Escolhe a nossa fragilidade, aproxima-se de nós com delicadeza e assume a condição humana para vir ao nosso encontro.
A Encarnação revela a “lógica da pequenez”: Deus salva descendo, aproximando-se, tornando-se presença discreta e próxima.
É nesta luz natalícia que olhamos para a recente viagem do Papa Leão XIV à Turquia, realizada de 27 a 30 de novembro de 2025. Tive a oportunidade de participar na etapa turca desta visita e partilho aqui uma leitura franciscana da experiência.
1. Uma presença franciscana visível e discreta
Na Turquia, onde os franciscanos conventuais servem em três comunidades (duas em Istambul e uma em Esmirna), a presença dos frades foi claramente percebida nas celebrações e nos bastidores da viagem.
Organização, liturgia, acolhimento… tudo viveu muito do serviço silencioso dos irmãos.
Um cardeal chegou a brincar:
“Em toda a parte, vemos conventuais… belíssimo!”
Um detalhe simbólico: o altar usado pelo Papa na Missa de 29 de novembro veio da nossa igreja da Natividade da Virgem Maria, em Büyükdere.
Pequenos sinais, mas cheios da simplicidade e dedicação que marcam o nosso carisma.
2. A força da pequenez: o Papa e a minoridade franciscana
Um dos temas mais fortes da viagem foi o de ser minoria.
Na Catedral do Espírito Santo, o Papa recordou que Deus escolhe sempre o caminho da pequenez.
Citou Jesus:
“Não temas, pequeno rebanho, porque ao vosso Pai agradou dar-vos o Reino.” (Lc 12,32)
Estas palavras tocaram-me profundamente.
A “lógica da pequenez” não é fraqueza; é o coração do Evangelho.
É também a identidade dos franciscanos: ser menores.
É isto que os nossos confrades vivem todos os dias na Turquia, muitas vezes em ambientes de grande fragilidade e tensão cultural.
3. Humildade: condição necessária para o diálogo
O Papa insistiu ainda na humildade como caminho para o diálogo cristão.
Num país onde convivem tradições cristãs antigas e comunidades católicas pequenas, a humildade torna-se porta de encontro.
Sem humildade, não há ecumenismo.
Sem humildade, não existe diálogo verdadeiro com o Islão.
Recordei a história de Istambul — Bizâncio, Constantinopla, Império Romano, Império Bizantino, Cruzadas, conquista otomana…
Uma cidade que já foi centro do mundo cristão e que hoje quase não faz referência pública à visita do Papa.
Uma lição importante:
não é a grandeza política que garante a fé, mas a fidelidade humilde a Deus.
Por isso, o diálogo só pode nascer na paridade e no respeito.
Não há diálogo entre vencedores e vencidos.
Há diálogo quando ambos se colocam diante de Deus com verdade.
4. Um apelo a apoiar o “pequeno rebanho”
Os nossos confrades vivem num lugar exigente.
São uma presença fraterna, simples, perseverante.
Precisam da nossa oração, da nossa benevolência e da nossa comunhão.
Pessoalmente, agradeço o acolhimento que recebi.
Foi uma oportunidade para ver a fé em situações delicadas, criar novos contactos e abrir horizontes para futuros projetos.
Que o Deus humilde de Belém nos ajude a redescobrir também nós a força da pequenez, a coragem da minoridade e a luz da humildade, caminhos sempre atuais do carisma franciscano.
fra Sławomir Klein
Delegado geral para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso
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