Francesco Sardi
Tradução livre: Frei José Augusto Marques
Neste mês em que celebramos a Ressurreição do Senhor, somos convidados a redescobrir como a Páscoa não é apenas um acontecimento litúrgico, mas uma experiência que transforma a vida concreta. A fé cristã nasce muitas vezes de um caminho feito de perguntas, dúvidas e encontros. É precisamente nesse percurso que a vitória de Cristo sobre a morte começa a tornar-se pessoal e real.
Estas reflexões nascem da leitura do livro A Páscoa salva o mundo, do padre Antonio Sergianni, e da experiência de quem procura compreender o sentido da própria vida à luz do Evangelho.
Um caminho de fé e liberdade
Cheguei a um ponto da minha vida em que senti necessidade de parar e refletir. Algumas perguntas acompanharam-me durante muito tempo e tentei responder-lhes de diversas formas. Só na fé comecei a encontrar uma luz.
Não porque alguém me obrigasse. Deus não impõe, chama na liberdade. Num mundo marcado pelo “tu deves”, descobrir que Deus pede o meu consentimento foi algo decisivo.
A fé aproximou-se através de um caminho concreto: uma comunidade, irmãos que não julgam, mas encorajam e ajudam a crescer. Pessoas frágeis como eu, que anunciam Deus precisamente na sua fragilidade.
Uma vida nova começa
Foi nesse contexto que comecei a compreender melhor a minha condição de pecador e, ao mesmo tempo, a força do Batismo. Este primeiro sacramento abre um caminho novo: faz-nos participar na vida divina e insere-nos na Igreja como comunidade viva.
Continuam a surgir dúvidas. Porque permite Deus o sofrimento? Como encontrar paz num mundo marcado pela fome, pela injustiça e pela violência?
A tentação é pensar que a salvação depende apenas das nossas forças. Mas o cristão descobre progressivamente que o mundo se salva no encontro com Cristo.
Cristo morreu na cruz e ressuscitou por todos. A minha salvação passa por unir a minha vida à sua. A cruz, escândalo para a razão humana, torna-se caminho de vida nova.
A força da comunidade e dos sacramentos
Depois de anos de caminhada, reconheço três realidades essenciais.
A comunidade cristã, onde Deus me faz crescer através dos sacramentos e me ajuda a lutar contra aquilo que destrói a vida.
A Palavra de Deus, que ilumina o caminho e sustenta no combate espiritual.
A Eucaristia, onde Jesus se torna presente no partir do pão e reúne os crentes numa comunhão real.
Cada domingo é uma pequena Páscoa: o encontro entre Deus e a história humana, o sinal de que o céu voltou a abrir-se.
Uma esperança que vence a morte
No final permanece uma pergunta simples e decisiva: estou disponível para acolher plenamente o Espírito Santo, no perdão e no amor misericordioso de Deus?
A resposta nasce lentamente no coração: a morte não pode ter a última palavra.
A Páscoa revela precisamente isto. Cristo ressuscitado entra na nossa fragilidade e transforma-a em caminho de esperança.
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