Um testemunho para o tempo da Quaresma
Quaresma, tempo de espera e de conversão
O tempo da Quaresma é, por excelência, um tempo de espera ativa. Espera que não é passividade, mas caminho de conversão, de escuta e de confiança. Neste horizonte, partilhamos o testemunho de Giosuè, um jovem universitário que reflete sobre a vocação e sobre como viver os tempos em que parece que Deus ainda não revelou totalmente os seus planos.
A vocação começa hoje
Giosuè recorda um pequeno livro recebido no início do seu percurso no Seminário Menor. Nele encontrou uma distinção importante: existe uma vocação específica, ligada às escolhas futuras, mas existe também uma vocação mais imediata e fundamental, comum a todos os batizados, a vocação à fé.
Seguir Cristo hoje, acolher a sua Palavra e conformar a vida com o Evangelho não é algo para mais tarde. É um chamamento que pede resposta agora, sem adiamentos.
Uma pergunta mal colocada?
Ao perguntar-se “como viver o tempo de espera pelos planos de Deus”, Giosuè percebe que talvez a própria pergunta esteja mal formulada. Durante muito tempo, viveu com a ideia de que existiria um tempo de espera e, depois, um momento em que Deus finalmente revelaria tudo.
Mas e se Deus já estiver a realizar os seus planos hoje?
E se este tempo presente for já o lugar da fidelidade?
A lógica da semente
Mais do que um projeto que cai do céu de um momento para o outro, Giosuè passa a ver a vocação como uma semente que cresce. O crescimento não está nas suas mãos, mas o cuidado do terreno, sim.
Viver bem o presente, com seriedade e compromisso, é preparar o terreno para que a semente possa crescer no tempo certo de Deus.
História e Palavra que se encontram
Um jovem frade contou-lhe um dia que chega um momento em que a própria história pessoal começa a coincidir claramente com a Palavra de Deus. Para que isso aconteça, é preciso estar presente à própria vida, levá-la a sério, sem a viver “em modo de poupança”.
Também o tempo da espera é precioso. A forma como se vive agora será a forma como se viverá depois.
O silêncio que escuta
Para cuidar do terreno, Giosuè descobre a importância do silêncio. Fazer espaço, reduzir o ruído, reler a própria história. O silêncio torna-se lugar de escuta de Deus e de si mesmo.
E há um efeito inesperado: o silêncio torna-nos novamente capazes de nos maravilhar. A beleza de um livro, de um diálogo, de uma experiência simples passa a ser lugar onde Deus toca o coração.
A vida espera uma resposta
Citando Viktor Frankl, Giosuè recorda que a pergunta decisiva não é o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós. A resposta não se dá apenas com palavras, mas com escolhas, atitudes e ações concretas.
Assim, cada dia torna-se lugar de santificação e de glorificação de Deus.
Vigiar na esperança
Viver a espera não é ansiedade. É vigilância confiante, como as virgens do Evangelho. Não há pressa em controlar o futuro, apenas uma curiosidade serena: deixar Deus trabalhar, confiar-lhe o tempo e a própria história.
Neste tempo de Quaresma, este testemunho recorda-nos que a vocação cresce enquanto caminhamos, e que Deus age precisamente na fidelidade do presente.
Giosuè, 23 anos
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