
por fra Alberto Tortelli
Neste tempo de Advento e de Natal, contemplamos o mistério da Encarnação: o Deus que se faz homem, que entra na nossa história e vive entre nós. A Encarnação é o sinal mais belo de fraternidade — Deus escolhe partilhar a nossa vida, não permanecer distante.
À luz deste mistério, a vocação franciscana revela o seu coração: viver como irmãos, em comunhão, simplicidade e alegria, refletindo no mundo o rosto de um Deus que se fez próximo.
Viver como irmãos
Muitos perguntam como é a vida de um frade franciscano. Uma das suas características mais marcantes é a fraternidade: viver juntos como irmãos.
O frade franciscano não vive sozinho, mas partilha com outros frades a vida, as escolhas, a missão e o ideal evangélico.
Mas o que significa, de facto, ser e viver como irmãos?
1. A dupla dimensão de “irmão”
Ser irmão significa, antes de mais, reconhecer uma origem comum: somos todos filhos do mesmo Pai, aquele do “Pai nosso” que está nos Céus.
Ao mesmo tempo, “irmão” indica igualdade: partilhamos a mesma dignidade, os mesmos direitos e deveres. Ninguém está acima nem abaixo dos outros.
2. O olhar de São Francisco sobre os irmãos
Para São Francisco, os irmãos são um dom do Senhor (“O Senhor deu-me irmãos”, Testamento, FF 116).
Ele nunca se coloca como dono ou profeta, mas como “frei Francisco, o mais pequeno dos frades”.
Francisco quer ser irmão de todos — dos homens, das mulheres e até das criaturas: “irmão sol, irmã lua”.
A sua vida torna-se um cântico à fraternidade universal.
3. O estilo de fraternidade que Francisco desejava
Francisco não fundou uma abadia com hierarquia rígida, mas uma fraternidade evangélica.
Chamou os seus companheiros “frades menores”, para exprimir igualdade, serviço e amor mútuo.
Mesmo os que guiam a comunidade são chamados “servos de toda a fraternidade”.
Francisco desejava que os frades fossem alegres, simples, pobres, humildes e mansos — como o próprio Cristo.
4. A missão da fraternidade franciscana
Os frades são chamados a viver o santo Evangelho seguindo os passos de Cristo pobre, humilde e crucificado — aquele que reuniu os discípulos e lhes lavou os pés.
A fraternidade é o lugar onde cada um encontra o Senhor, servindo e sendo servido, num dom recíproco e alegre.
É ali que se torna visível o amor de Deus que, encarnando, escolheu viver entre nós.
Um vislumbre da fraternidade de Francisco
Francisco não fala apenas de virtudes; fala de pessoas concretas, dos seus primeiros companheiros, e das virtudes que via em cada um.
O verdadeiro frade menor, dizia ele, é aquele que reúne em si um pouco de cada um dos seus irmãos:
- a fé e o amor à pobreza de Bernardo,
- a simplicidade e pureza de Leão,
- a cortesia de Ângelo,
- a alegria e o bom senso de Masseo,
- a contemplação profunda de Egídio,
- a oração constante de Rufino,
- a paciência de Junípero,
- a força de João delle Lodi,
- a caridade ardente de Ruggero,
- e a santa inquietação de Lúcido, sempre em caminho, lembrando que “não temos morada permanente cá em baixo, mas no céu” (Hb 13,14).
A fraternidade, portanto, não é apenas um ideal: é um mosaico vivo de dons diferentes que se completam no amor.
Contactos em Portugal
Para mais informações sobre a vocação franciscana:
Frei José Carlos Matias (Coimbra)
Tel.: 239 713 938 | Email: freizecarlos@gmail.com
Frei André Scalvini (Lisboa)
Tel.: 21 837 6969 | Email: andreasfrater4@gmail.com



