Mi casa es su casa

Todos procuramos encontrar a nossa “casa”. A “casa” aqui referida num sentido mais amplo que uma estrutura física de quatro paredes e um telhado. Idealmente, o conceito de “casa” surge na infância, no seio de um ambiente familiar seguro e confortável. É o lugar onde regressamos todos os dias e encontramos a companhia das pessoas que nos amam. Esta percepção é importante não só no nosso crescimento individual, mas também no crescimento coletivo que vai influenciar aquilo a que chamamos de “comunidade”. Comunidade, vem do termo communitate, “qualidade do que é comum”. Encontrar semelhanças sempre foi um dos motes mais fortes da humanidade para se unir. Uma comunidade, independentemente de qual seja, deve estar assente no conceito de “casa comum”, um lugar que merece o nosso cuidado e onde sentimos que pertencemos e somos bem-vindos. Nem todas as pessoas têm isso presente no coração. O mundo está repleto de injustiças sociais, económicas, entre outras que nos violentam e provocam desentendimentos, prejudicando a edificação de comunidades. A vida conjunta só é possível de concretizar havendo respeito e um sentido de verdadeira partilha e de carinho pelo outro, mesmo na diferença e discórdia. A minha “casa”, deve ser sempre uma porta aberta ao outro.

Hoje encontramos muitas comunidades, dispersas nos mais diversos ramos da vida. Temos as comunidades religiosas, escolares/académicas, científicas, desportivas, políticas, de emigrantes, nacionais, locais, de vizinhos, de orientação sexual, artísticas, ambientais, animais, etc. No fundo, podemos encontrar comunidades enquanto houver algo em comum que una as pessoas.

A comunidade cristã começou com Jesus Cristo. Foi ele que ensinou às pessoas aquilo que torna o ser humano único, “a capacidade para amar e ser amado”. Se acreditarmos nesta habilidade, também acreditamos em Deus, que é Amor. Deus é o verdadeiro unificador da comunidade cristã! Para os cristãos, Ele é a base onde assenta a fé da Igreja. É uma propriedade intrínseca. Cristo, partilhou a sua vida não só entre os discípulos, mas também por todas as pessoas com quem se cruzou. A sua vida, a sua ação, foram testemunho vivo de Deus. Nós, descendentes desta “primeira comunidade”, somos também chamados a ser testemunho vivo de Deus! A comunidade que Jesus nos mostrou é uma comunidade que convida todos a amar, a partilhar, a respeitar, a ser alegre, disponível e atento. Em Mateus 18, Jesus explica: «Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão-de obtê-la de meu Pai que está no Céu. Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.». Este é um convite de Jesus a unir os povos da terra no amor de Deus.

Num mundo em que ressalta a indiferença, a descrença perante o evidente, a discórdia, temos que ser forças de paz e de amor. Temos que retornar às bases das comunidades em que nos inserimos, comunidades essas que não levantam muros e se dispersam por toda a Terra. Assim, como São Francisco de Assis, temos que procurar ser uma força contrária ao que traz sofrimento, através da oração:

“Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.”

A oração é muito importante e é dela que advém muita da nossa força e entusiasmo para viver o dia-a-dia. Estamos a caminho daquela que será uma das maiores e mais desafiantes provas que teremos em Portugal para demonstrar esta força da vivência em comunidade: a Jornada Mundial da Juventude. Na semana de 26 a 31 de julho de 2023, vamos adotar o mote “mi casa es su casa” e acolher, no conforto das nossas casas e das nossas paróquias, peregrinos de todo o mundo pertencentes a esta mesma comunidade cristã. Desde a dormida às refeições em família, passando também por dias bastante cheios de atividades locais e diocesanas organizadas por vários grupos de voluntários, vamos ser testemunho de alegria e disponibilidade. Vamos mostrar ao mundo que os muros que edificamos apenas nos criam falsas sensações de segurança e impedem-nos de conhecer realmente o outro e vice-versa. Vamos ser “comunidade”.

Contactos em Portugal

Para mais informações, contacta:

Frei José Carlos Matias (Coimbra)
Tel.: 239713938 | Email: freizecarlos@gmail.com

Frei André Scalvini (Lisboa)
Tel.: 21 837 69 69 | Email: andreasfrater4@gmail.com

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