O bem vence, apesar de tudo!

125 projetos em 36 Países, por um total de cerca de 3 milhões e 600 mil euros. Não obstante as guerras e as crises económicas, a solidariedade em nome de Santo António permanece constante. É a prova de que o bem encontra as suas estradas, mesmo nos tempos piores.

A equipa do Centro Médico São Maximiliano Kolbe em Sabou, no Burkina Faso

Num ano atormentado por pobreza, guerras, direitos negados, os números da solidariedade antoniana são a boa noticia, a demonstração concreta que o bem sabe fazer o seu caminho mesmo nas condições piores.

125 os projetos levados a termo em 2023 em 36 Países do mundo pela Caritas Santo António, a obra de caridade mais importante dos frades menores conventuais, por um total de cerca de 3 milhões e 600 mil euros. «Não obstante as dificuldades recentes também em Itália – afirma fra Valerio Folli, diretor da Caritas santo António – a generosidade de leitores e devotos nunca falhou: um sinal de grande confiança e de profunda ligação com santo António».

O maior número de projetos é em África, com 79 realizações em 23 Países e a maior parte dos fundos utilizados, cerca de 1 milhão e 300 mil. Todavia a nação onde se gastou mais, cerca de 30% dos fundos, é a Itália: «Ao longo do último decénio – continua o diretor – a pobreza no nosso País cresceu notavelmente. São sempre mais as famílias que batem às portas dos nossos conventos, sobretudo depois do covid, e parece-nos justo dar um sinal de proximidade e de partilha».

O projeto de junho 2023 foi inteiramente dedicado às pessoas em dificuldade, acolhidas pelas paróquias franciscanas em várias partes de Itália. «Destinámos ao projeto 500 mil euros, para ajudar as famílias nos problemas quotidianos: comida, faturas, rendas, despesas escolares e sanitárias.

Outros financiamentos foram para as realidades dos nossos frades que têm ao seu cuidado pessoas com deficiência ou com dependência de substâncias». A ajuda da Caritas santo António chegou também às populações atingidas pelo dilúvio na Emilia Romagna: «Ligámo-nos neste caso às Caritas diocesanas, que já tinham estruturado uma rede de apoio e conheciam as famílias mais em dificuldade. Um fundo que beneficiou famílias das dioceses de Forlì, de Faenza e de Imola».

A atenção pela Itália nunca deixou que falhasse o compromisso nos Países mais pobres e marginalizados, em particular aqueles onde é mais difícil atuar por causa das guerras ou situações sociais graves; periferias que a Caritas santo António consegue alcançar graças aos conventos dos frades naqueles Países ou a realidades laicais e religiosas locais, com quem entra em contacto diretamente.

Não é por acaso que, o País onde foi realizado o mais alto número de projetos, mais precisamente dezoito, é a República Democrática do Congo, que é abalada há cerca de trinta anos por guerras civis e conflitos com outros Estados, gerados pela sede de controle dos seus enormes recursos naturais: terras raras, diamantes, metais preciosos, biodiversidade.

Por causa dos conflitos – o último rebentado no Nord Kivu em maio de 2022 – morreram pelo menos 5,5 milhões de pessoas, enquanto o clima de violência criou mais de 7 milhões de refugiados, um dos números mais altos do mundo. As consequências são devastadoras: 70% dos congoleses vive abaixo do limiar da pobreza, mesmo habitando num dos Países mais ricos do mundo.

A Caritas santo António intervém no Congo, financiando microprojectos para o acesso à água, à saúde, à escola. Um compromisso, nas zonas esquecidas, que anda de mãos dadas com uma outra tendência que se está consolidando no trabalho da Caritas santo António: «Em 2023 acentuou-se o esforço de ajudar as comunidades, as paróquias e as associações locais em áreas geográficas marginalizadas a aceder aos nossos fundos, embora não tendo estruturas organizativas consolidadas.

Um déficit que lhes impede de aceder à ajuda de outras entidades de beneficência. Mas deste modo os fundos correm o risco de chegar só a quem já está estruturado, penalizando precisamente os mais pobres. E assim, no início de uma nova relação de solidariedade, aceitamos pequenos projetos e ajudamos os operadores locais a estruturar-se de modo a aprender a construir e a realizar um projeto, segundo métodos e procedimentos confiáveis. Este trabalho exige-nos muita energia, mas torna-se para os mais pobres uma escola de formação para tomarem concretamente nas mãos o próprio futuro. Desta vez um dos objetivos principais par aos anos futuros».

A nível geral, os campos em que a Caritas santo António interveio mais são três: em primeiro lugar estão os projetos finalizados à promoção humana, ou seja formação profissional, campanhas de saúde, lugares de encontro comunitário, serviços partilhados, projetos de recuperação de jovens com problemas de dependência e de marginalidade.

Deste setor fazem parte também os projetos agrícolas comunitários, que ajudam as populações rurais a superar os danos provocados pelas mudanças climáticas e a garantir-se uma maior autossuficiência alimentar.

No segundo lugar atesta-se um clássico da solidariedade antoniana, isto é, os projetos de acesso á escola, realizados sobretudo em África.

Em terceiro lugar, mas não menos importantes, os projetos de saúde e higiene, também estes realizados sobretudo em África: dispensários, aparelhos médicos, salas de parto, enfermarias de hospitais. Faz parte deste campo também a construção de serviços higiénicos para os lugares comunitários, como escolas e hospitais, considerados fundamentais para salvaguardar a saúde das pessoas.

Os outros campos de intervenção são o acesso à água, a construção de habitações, a formação profissional e o microcrédito.

Conforme os tipos de projeto apoiados deduzem-se também os beneficiários, que na maioria são as populações das zonas rurais, as crianças e os jovens. O número total das pessoas tocadas pela solidariedade antoniana – um número seguramente por defeito, vista a dificuldade de obter os dados nalgumas zonas – é de 765 mil pessoas, sobretudo em África. 

Um outro sinal dos tempos é o facto que crescem os custos dos projetos, também porque a Caritas santo António é muitas vezes bem-vinda para a reestruturação e a construção de imoveis que são entre as intervenções mais caras e menos apoiadas por outras agências caritativas.  
59% dos projetos atesta-se entre os 10 mil e os 30 mil euros, quando somente há cinco anos atrás a maior parte não atingia os 10 mil euros.

Os referentes da Caritas santo António são de vário tipo: em primeiro lugar os frades franciscanos das muitas missões espalhadas pelo mundo, mas não só eles. Muitos projetos são propostos pelas dioceses e pelas congregações locais ou por outras ordens religiosas, mas existem também projetos apresentados por associações laicais, nascidas nos diversos lugares para fazer face aos problemas concretos das pessoas.

São precisamente os missionários leigos ou religiosos, que vivem junto dos pobres e partilham as suas dificuldades, a última milha da solidariedade antoniana: «Através deles – conclui fra Valerio – conseguimos alcançar as periferias do mundo, como deseja o Papa Francisco.

Dou-me conta, trabalhando juntos, que existem tantíssimas pessoas que fazem o bem, em todos os Países, em todos os contextos sociais. Afinal muitas vezes a prevalecer é a visão negativa e pessimista da realidade. Mas aquilo que mais me emociona é assistir à resposta de tanta gente que dá em nome de santo António, para que outras pessoas possam ter uma vida melhor ou se possam salvar. Fico impressionado pela constante e generosa ajuda que nos chega. Uma providência de verdade fora do comum».

| De, GIULIA CANANZI

Segue os projetos em www.caritasantoniana.org

Data de publicação: 05 fevereiro 2024

Tradução: fr. zé augusto

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