
Por fra Nico Melato
Tradução livre Frei José Augusto Marques
Neste mês vivemos de modo particular o tema das vocações. E talvez a primeira pergunta a fazer seja simples: para onde está voltado o nosso olhar?
Perscrutar o horizonte é muitas vezes a chave de um caminho vocacional.
Vivemos frequentemente com o olhar voltado para baixo. Presos às nossas preocupações, às dúvidas, às faltas, às pequenas feridas. Concentrados no que não temos, no que não corre bem, no silêncio de Deus que por vezes nos parece ausência. Corremos o risco de fazer tudo girar à volta de nós mesmos.
Mas Jesus tem outra perspetiva. No Evangelho segundo Lucas recorda que sabemos interpretar os sinais do céu e da terra, mas não sabemos reconhecer o tempo presente. Sabemos prever a chuva e o calor, mas não percebemos o que Deus está a realizar na nossa própria história.
Talvez a chave esteja precisamente em levantar o olhar.
Passar de uma cabeça inclinada para uma cabeça erguida. Olhar em frente. Perguntar: o que está a acontecer no horizonte? Que sinais vejo? Que apelos escuto?
Quando levantamos o olhar, podemos descobrir algo novo: um mundo que precisa de nós, um Deus que chama pelo nome, uma Igreja que espera o nosso contributo, uma vida plena que nos é oferecida.
Levanta o olhar. Existe algo maior que te espera. Deus continua a chamar. E a humanidade precisa daquilo que só tu podes dar.
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