Rezar é entrar em relação

Por fra Massimiliano Patassini
Diretor editorial «Messaggero di sant’Antonio»
Tradução livre Frei José Augusto Marques

Quando falamos de vocação, pensamos muitas vezes numa escolha de vida concreta. Mas antes de qualquer vocação particular, existe uma vocação fundamental: a vocação ao amor.

Muitas vezes rezamos para pedir coisas. Colocamos no centro as nossas preocupações, os nossos problemas, aquilo que nos falta. Mas a oração não é uma mercadoria de troca. Não é um contrato com Deus.

O próprio Jesus ensinou a rezar e deu o exemplo. Nos Evangelhos vemos que se retirava para lugares desertos. No Getsémani, cai por terra e chama Deus de “Abbá”. Pede que o cálice da paixão se afaste, mas coloca acima de tudo a vontade do Pai. A oração de Jesus nasce da relação.

O aspeto fundamental da sua vida é esta ligação constante ao Pai. Ele procura o Pai antes de qualquer outra coisa.

Nós, pelo contrário, corremos o risco de transformar a oração numa troca: eu peço, Deus concede. Mas o Deus revelado por Cristo deseja encontrar-nos. Não por interesse, mas porque é amor. Manifestou-o ao assumir a nossa condição humana em Jesus.

Rezar é entrar em relação com um Deus que nos procura primeiro.

Francisco de Assis compreendeu isto profundamente. Insistia na importância de conservar “o espírito da santa oração”, ao qual devem servir todas as outras coisas. A sua vida não se entende sem a oração. Tornou-se, como diz Tomás de Celano, quase uma oração viva.

Para isso, procurava recolhimento. Criava espaço interior para Deus. Sabia que é no silêncio e na relação que o coração se transforma.

Existe o risco de fugir do mundo? Sim. Mas a verdadeira oração conduz ao amor. Ajuda-nos a viver as situações concretas com um olhar mais semelhante ao de Deus.

Rezar não é fugir. É aprender a amar como Ele ama.

E essa é a primeira e mais profunda vocação de todo o ser humano.

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