Por: Frei Alessandro Perissinotto

Em Março estamos a viver o tempo de Quaresma, um tempo dedicado à conversão.
Um tempo para recentrar a vida em Deus, mudar o coração e dar passos novos.
A conversão não é apenas deixar algo para trás.
É escolher aquilo que realmente vale a pena.
É aprender a viver de modo diferente, mais livre, mais evangélico.
Neste espírito, olhamos hoje para duas figuras que continuam a inspirar milhões de pessoas: São Francisco de Assis e São Carlo Acutis.
Carlo foi canonizado pela Igreja e, no seu rito de canonização, brilhou como sinal de uma santidade jovem, simples e alegre.
Juntamente com ele foi proclamado santo também Pier Giorgio Frassati.
Ambos recordam aos jovens — e a todos — que a vida é um dom para ser vivido plenamente, e não apenas “sobrevivido”.
Neste artigo, retomamos a reflexão de fra Giancarlo Paris, autor do livro Carlo Acutis. O discípulo predileto, para compreender como São Francisco foi fonte de inspiração decisiva no caminho espiritual de Carlo.
Carlo e Francisco: dois caminhos, um mesmo coração
Falar de Carlo Acutis é inevitavelmente falar de São Francisco.
Carlo sentia por Francisco uma admiração profunda.
Por isso, a família comprou uma casa em Assis, onde ele passava todos os verões.
Ali rezava longamente, visitava os lugares franciscanos e alimentava a sua amizade com Deus.
A simplicidade, a alegria e o amor concreto pelos pobres aproximavam Carlo do Pobrezinho de Assis.
Ele não se limitava a ajudar: criava laços, oferecia tempo, atenção, amizade.
Em Milão e depois em Assis, tinha sempre um olhar especial pelos que viviam na rua.
Partilhava comida, preparava refeições, ficava a conversar com quem precisava de companhia.
São Boaventura descreve assim o coração de Francisco:
“Sentia derreter-se o coração na presença dos pobres.”
Este espírito viveu também em Carlo.
O amor pela criação
Carlo tinha uma relação espontânea e alegre com a criação.
Brincava com os animais, envolvia-os em pequenos vídeos que fazia para catequeses, corria pelos campos a soltar papagaios construídos com o pai.
Para ele, a criação era um lugar de beleza e liberdade — um reflexo simples do amor de Deus.
Não é por acaso que pediu para ser sepultado em Assis.
A Eucaristia: o centro da sua vida
O traço mais profundo da espiritualidade de Carlo foi a sua relação com a Eucaristia.
De Francisco e de Santo António aprendeu a fé viva na presença real de Jesus.
A Missa e a adoração eucarística eram o coração do seu dia.
Carlo não suportava a arrogância nem o falar de si próprio.
Aprendeu diante da Eucaristia a ser verdadeiro, humilde, original.
Daí a frase que tantos jovens repetem hoje:
“Todos nascemos como originais, muitos morrem como fotocópias.”
Na comunhão, imaginava reclinar a cabeça sobre o peito de Jesus, como o discípulo amado na Última Ceia.
Assim descobriu a sua identidade e a sua missão.
O amor pelos outros
Carlo tinha uma verdadeira vocação para a amizade.
Com adultos e jovens.
Com colegas, vizinhos, crianças tristes, estrangeiros que tinham dificuldade na escola.
Aproximava-se com naturalidade, ajudava, incluía, oferecia alegria.
Era irmão.
Era presença.
Era simplicidade franciscana em estado puro.
São Francisco rezava e falava com Jesus “como amigo para amigo”.
Carlo viveu esta mesma forma de amor.
A juventude: um rosto luminoso da santidade
Carlo tornou-se símbolo de uma santidade jovem, concreta, próxima.
Mas não está sozinho.
Chiara Luce Badano, Matteo Farina, Maria Cristina Cella Mocellin, Giulia Gabrieli e tantos outros jovens italianos mostram que a santidade é possível em qualquer idade.
A juventude é hoje um dos rostos mais belos da santidade.
E Francisco e Carlo continuam a lembrar-nos que a conversão — este passo simples, mas decisivo — é sempre uma mudança de direção:
virar o coração para Deus, para os irmãos, para o amor.
fr. Giancarlo Paris
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