Por Giovanni Pezzoni
Uma reflexão sobre a vida consagrada
Fevereiro, mês da vida consagrada
Neste mês de fevereiro, em que a Igreja nos convida a olhar de modo especial para a vida consagrada, partilhamos uma reflexão simples e profunda sobre o sentido desta vocação. Não como ideal distante, mas como vida concreta, vivida no quotidiano, com fadiga e alegria.
Os interesses de Deus
“Viver a consagração quer dizer viver a vida a partir dos interesses de Deus.”
Esta afirmação leva-nos a uma pergunta direta: Deus tem interesses?
Sim.
O interesse de Deus é cada pessoa.
Especialmente quem vive na fragilidade, na dor, na dificuldade.
O coração de Deus acolhe, protege e gera vida. É um amor que não procura vantagem própria, mas o bem de toda a humanidade. A salvação oferecida em Jesus Cristo revela este amor gratuito, total, sem medidas.
Deixar-se transformar pela misericórdia
Deus não age a partir do egoísmo, mas da misericórdia.
E a grande pergunta permanece: deixamo-nos transformar por este Deus?
A vida consagrada nasce precisamente aqui. É o desejo de acolher, na própria vida, os interesses de Deus. Não como algo abstrato, mas como escolha concreta, renovada todos os dias.
A vida consagrada no quotidiano
A consagrada, a religiosa, não é alguém que já chegou à perfeição.
É uma mulher em caminho.
Escuta a Palavra.
Vive um carisma.
Reserva tempo para a oração, a formação, a partilha.
E, em cada etapa da vida, volta a escolher o projeto de Deus.
Tudo isto vivido na normalidade do dia a dia, com a mesma paixão de Deus pela humanidade.
Da vida comunitária à fraternidade
Cada consagrada vive inserida numa comunidade concreta, marcada pela diversidade.
Ninguém escolhe as irmãs com quem caminha. Aprende-se a acolher, a fazer espaço, a construir comunhão.
Talvez hoje o grande desafio seja este: passar da simples vida comunitária à verdadeira vida fraterna.
É possível?
Sim, quando se procura, acima de tudo, o interesse de Deus.
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