fra Alberto Tortelli

Foi publicado um pequeno volume pelas Edições Messaggero Padova: Francisco d’Assis – Um cristão alegre, pobre, humilde, simples, bom, com contributos de vários frades meus confrades.
O prefácio é uma entrevista a frei Francesco Masin, de 90 anos, um irmão de comunidade sábio e experiente, conduzida por fra Luigi Francesco Ruffato, do convento do Santo. Partilho aqui esta entrevista, tanto para vos dar a conhecer a publicação, que aborda virtudes queridas a São Francisco, como para vos ajudar a compreender melhor a vida de frade, inspirada nestas virtudes e na busca quotidiana da santidade.
“Não tenho dificuldade em viver como franciscano”
Conheço um frade chamado Francesco, apelidado de Giovanni. Conversando e partilhando o quotidiano com ele, somos convidados a praticar as virtudes sobre as quais fala este livro: alegria, humildade, simplicidade, pobreza, mas também cultura religiosa e desejo sincero de santidade.
Quando lhe pergunto:
“Fra Francesco, porque está sempre com um sorriso nos lábios?”
Ele responde:
“Porque quero bem a todos. Aprendi com São Francisco de Assis, através de um frade idoso que me fez conhecer S. António e, depois, S. Francisco. Na minha família, agricultores, passámos fome, e foi assim que compreendi o significado de viver os votos de pobreza, contentando-me alegremente com o necessário. Como dizia São Francisco: ‘Onde há pobreza e alegria, não há ganância nem avareza’.”
Fra Francesco nunca esquece as suas origens. Cultiva um pequeno terreno chamado “Orto Checco”, contempla os legumes, pesca com cuidado no canal Santa Clara e protege os animais do convento. A sua vida é marcada por oração, trabalho e estudo da Bíblia, com um profundo respeito pelos pobres e pela criação.
Ele diz:
“O primeiro em relação ao voto de pobreza é trabalhar a terra para as necessidades da comunidade e para os pobres. A fadiga pelo pão dos pobres é uma virtude evangélica. O resto é obra da Providência. O sorriso faz parte da Ordem Franciscana: não prevemos pessoas tristes.”
Estudo, cultura e simplicidade
Fra Francesco valoriza o estudo e a cultura, mas deseja acima de tudo ser simples, como São Francisco, que admirava Deus na criação e escutava o Evangelho. Sobre a sua missão, afirma:
“Queria ser um bom frade, mesmo não sendo capaz de muitas coisas. Contento-me com pouco e penso sobretudo nos pobres. A nossa vocação é obra da bondade de Deus, não nossa.”
Na sua vida diária, Fra Francesco dedica-se à oração, ao trabalho comunitário e ao cuidado dos necessitados. Ele vive a santidade no cotidiano, mostrando que a verdadeira santidade não é extraordinária, mas concreta, presente nos gestos simples e na atenção aos outros.
Vida comunitária e amizade
Ele explica:
“Num convento numeroso, é mais fácil encontrar amigos do que irmãos. Mas a amizade fortalece a fraternidade franciscana. São Francisco dava nomes às coisas e às pessoas para as amar. Ninguém tem amor maior que este: dar a vida pelos amigos.”
Fra Francesco vive a Bíblia, cita os livros de Sabedoria e Provérbios para ensinar com exemplos simples e profundos, e usa o silêncio como momento de escuta de Deus.
Ele acrescenta:
“O silêncio ensina a escutar a consciência, a viver para servir, mas sobretudo a estar com Deus.”
Santidade no quotidiano
Quando falamos sobre a morte ou o paraíso, ele responde:
“O paraíso está escondido de nós, mas também dentro de mim. Se eu quiser, começa amanhã e dura toda a minha vida.”
Sobre viver muitos anos para servir Jesus nos pobres, Fra Francesco conclui:
“Imaginem ver Jesus na cara, a saboreá-lo com toda a alma… é uma plenitude indescritível. São Francisco conseguiu isso, e por isso encanta sempre, também a mim.”
A vida de Fra Francesco é um exemplo de santidade vivida no cotidiano: alegria, simplicidade, pobreza, cuidado com os outros, amizade verdadeira, serviço e oração. Ele mostra que a santidade não é uma fuga do mundo, mas uma vida plena de amor a Deus e aos irmãos.
fra Luigi Francesco Ruffato
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