Jovens franciscanos e o cuidado da casa comum

Fra Erick G. Marín Carballo
Tradução livre: Frei José Augusto Marques

Neste mês em que refletimos sobre a pastoral juvenil, somos convidados a olhar para os grandes desafios que marcam a vida das novas gerações. Entre eles está a crise climática, que mobiliza jovens em todo o mundo e pede também uma resposta inspirada pelo Evangelho e pelo carisma franciscano. O cuidado da casa comum tornou-se hoje um espaço concreto de compromisso, discernimento e esperança.

Foi neste contexto que, de 10 a 22 de novembro de 2025, o Brasil acolheu a 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP30), realizada em Belém do Pará, no coração da Amazónia. Uma cidade onde convivem a vitalidade urbana, a riqueza da floresta e a presença histórica dos povos originários, das comunidades ribeirinhas e afrodescendentes.

O encontro reuniu delegações de 195 países, organizações da sociedade civil, representantes do mundo académico, povos indígenas e diversos movimentos inspirados pela fé. A Família Franciscana esteve presente através da organização Franciscans International, juntamente com religiosos, religiosas e leigos empenhados no cuidado da criação.

Um compromisso global

Durante duas semanas tiveram lugar negociações, diálogos e encontros na chamada “Zona Azul”, o espaço oficial dos trabalhos. O documento final apontou alguns progressos em matéria de financiamento e adaptação climática, mas revelou também frustração pela falta de compromissos políticos mais concretos, nomeadamente quanto à redução dos combustíveis fósseis.

Contudo, a COP30 não se limitou às negociações oficiais. A verdadeira riqueza do encontro manifestou-se nos espaços paralelos: a mobilização da sociedade civil, as reivindicações dos povos originários, a voz das jovens gerações e o crescente protagonismo das Igrejas perante a emergência climática.

A música, a cultura e o encontro entre pessoas abriram caminhos de diálogo e alimentaram a esperança, recordando que existem muitas formas de comunicar aquilo que vai além dos documentos e das decisões formais.

O olhar franciscano sobre a crise ecológica

Como franciscanos, reconhecemos que este também é o nosso lugar. À luz da fé e do nosso carisma, sentimos a responsabilidade evangélica de proteger a vida ameaçada, defender a dignidade humana e promover o equilíbrio dos ecossistemas.

Sabemos que a crise ecológica tem raízes profundas e que somos chamados a despertar consciências e a favorecer mudanças reais. Em muitas comunidades do mundo encontramos sinais de esperança e um apelo constante a reconstruir as relações humanas, a vida da Igreja e a casa comum que partilhamos.

O envolvimento das novas gerações neste caminho mostra que o cuidado da criação não é apenas uma questão ambiental, mas também espiritual e vocacional. É um espaço onde os jovens podem descobrir formas concretas de viver o Evangelho hoje.

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