Artigo Pica-Pau (Folha Paroquial, Santo António dos Olivais, Coimbra)
Há dias uma amiga que trabalha com os ‘sem-abrigo’, alguns também de religião muçulmana, dizia-me: «Para a semana começa o Ramadão, se calhar vou aproveitar para fazer um pouco de jejum!». “Acho uma boa ideia!” – respondi-lhe.
E acrescentei: «Talvez, podes aproveitar, como católica, para recuperar o valor e a beleza da caminhada quaresmal e sentir-te em comunhão, com o teu amigo muçulmano».
Não é descabido colocarmo-nos, nestes dias, algumas simples e concretas perguntas. Tens sentido, ainda, a Quaresma cristã? Como vou entrar neste tempo, chamado “forte” e “providencial”?
Talvez temos que reaprender a sentir e a viver a Quaresma não apenas como uma prática devocional, mas como um tempo oportuno para “desacelerar” e “recentrar” a nossa vida.
Com palavras simples, na sua mensagem quaresmal, o Papa Leão XIV afirma que «a Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida».
Por isso o tempo quaresmal é um tempo de exercício e de treino. Dito com uma outra expressão: “ascese”. Uma palavra que nos mete medo, porque evoca – como alguém disse – “privação moralista e negação do prazer”. Mas na sua etimologia grega, significa mesmo treinar, fazer exercício, para adquirir uma pedagogia da conversão.
Leão XIV diz, ainda, na sua Mensagem: «O jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem». Que bom: : jejuar para ampliar o desejo!
E depois lança uma proposta para alargar as formas de abstinência no tempo quaresmal: «Gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta… a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo». E deixa estas sugestões: “desarmar a linguagem”, renunciar a “palavras mordazes”, “juízo temerário”, “falar mal” dos ausentes, “calúnias”. Desafiando-nos a cultivar “a gentileza”, em família, entre amigos, no trabalho, nas redes sociais, na política, na comunicação social, nas paróquias.
A nossa Unidade Pastoral de Santo António propõe momentos de escuta da Palavra e iniciativas de caridade que nos ajudam a disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre e amplo.
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