Alessio Ortica
Tradução livre: Frei José Augusto Marques
Neste mês em que refletimos sobre a vocação, somos convidados a escutar os sonhos mais profundos que habitam o coração humano. A vida não é apenas uma sucessão de escolhas exteriores, mas um caminho interior onde, muitas vezes em silêncio, Deus chama e orienta. Também São Francisco viveu este processo, aprendendo a conformar a própria vontade com a vontade divina.
Estas reflexões ajudam-nos a perceber que a vocação nasce muitas vezes de um desejo grande, discreto e persistente: o desejo de um sonho que dê sentido à vida.
À procura de um sonho verdadeiro
Francisco, já transformado interiormente, renunciou a partir para a Puglia e começou a procurar aquilo que Deus realmente lhe pedia. Não foi uma mudança visível de imediato, mas um caminho silencioso de discernimento.
Também nós procuramos um sonho que não seja apenas individual ou passageiro. Procuramos algo que possa ser partilhado, algo que nos ajude a habitar o mundo com sentido até ao fim.
Não se trata de conquistar um lugar de destaque ou de acumular sucessos. Trata-se de acolher um sonho que tenha o sabor do eterno, que só pode ser recebido através de um “sim” livre e confiante.
Um encontro que muda tudo
Há momentos na vida que não se conseguem explicar totalmente. Um encontro, uma intuição, uma certeza interior que não cabe nas palavras.
Parece que tudo acontece num instante, mas esse instante contém um caminho inteiro. É como se o tempo se abrisse para algo maior, algo que acompanha a pessoa desde sempre.
Na história interior do jovem Francisco houve precisamente um momento assim. Um conhecimento profundo, uma direção nova, uma promessa que começou a tomar forma no coração.
O sim que abre o futuro
Responder à vocação significa entrar num horizonte de confiança. É aceitar ser conduzido por um sonho que não nasce apenas de nós, mas também de Deus.
Este sonho não é uma fuga da realidade. Pelo contrário, é uma forma mais plena de habitá-la. Deus chama-nos a participar da sua vida, a caminhar com Ele como uma criança que confia na mão do Pai.
A vocação não se impõe com ruído. Muitas vezes cresce no silêncio, amadurece no tempo e revela-se como uma promessa que sustenta a existência.
Também hoje somos convidados a escutar esta voz discreta. A deixar que o sonho de Deus encontre espaço na nossa liberdade e nos conduza a uma vida com sentido.
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