Neste dia, 1 de novembro, damos início a um mês exigente e profundamente humano. Começamos com a solenidade de Dia de Todos os Santos, onde proclamamos que a vida não termina, mas é chamada à plenitude, à santidade, à bem-aventurança. E amanhã faremos memória de todos os fiéis defuntos, renovando a nossa fé: creio na ressurreição dos mortos.
É neste horizonte que queremos viver este mês. Não como fuga, mas como verdade. Não como ideia abstrata, mas como caminho concreto.
Um sinal que continua a falar
Ao início deste ano, milhares de pessoas passaram por Assis para ver aquilo que resta do corpo de Francisco de Assis. Ossos. Apenas isso.
E, no entanto, mais de 370 mil pessoas sentiram necessidade de ir.
Como escreveu Dom Felice Accrocca, atual bispo de Assis, pode parecer estranho: «Tanta gente atraída por “um monte de ossos”. Mas não é isso que está em causa».
O que atrai não é o que resta do corpo. É a vida que aquele corpo viveu.
Mais do que aparência
Vivemos num tempo obcecado pela imagem. Aparência, sucesso, visibilidade. Tudo parece depender disso.
Mas Francisco desmonta essa lógica.
Não era alguém fisicamente impressionante. Não tinha poder. Não procurou prestígio. E, no entanto, continua a atrair.
Porquê?
Porque o valor de uma vida não está no que mostra, mas no que dá.
O critério verdadeiro
Há uma frase de São Francisco, muito simples, mas que resume tudo: o homem vale aquilo que é diante de Deus.
Não aquilo que parece.
Não aquilo que possui.
Não aquilo que os outros dizem.
Mas aquilo que é.
E isso vê-se na forma como vive, como ama, como se entrega.
Uma fé que olha mais fundo
Novembro lembra-nos que a morte não é a última palavra. Mas também nos obriga a rever os nossos critérios.
O que estamos a construir?
Aquilo que fazemos permanece?
A nossa vida está centrada no essencial?
A fé cristã não é apenas consolo para depois da morte. É um modo de viver já agora, com um olhar diferente.
Um olhar que sabe que tudo passa… mas nem tudo se perde.
E fica a pergunta
Se tudo o que é exterior desaparecesse… o que ficaria da tua vida?
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