Ter menos para ser mais livre
Quando ouvimos falar de pobreza, pensamos imediatamente na falta de dinheiro, na ausência de bens ou em pessoas que não têm o necessário para viver. Mas, para São Francisco de Assis, a pobreza era muito mais do que isso. Era uma maneira de viver, de olhar para o mundo e de se relacionar com Deus e com os outros.
Francisco não queria simplesmente ter menos coisas. Queria ser livre. Livre para amar, para servir e para acolher aquilo que Deus lhe oferecia, sem ficar preso à necessidade de possuir e controlar tudo.
De quem são as coisas?
Vivemos num mundo que nos ensina a acumular: mais dinheiro, mais objetos, mais seguidores, mais reconhecimento. Parece que o nosso valor depende daquilo que temos ou daquilo que os outros pensam de nós.
Francisco escolheu outro caminho. Percebeu que podemos usar as coisas sem nos tornarmos seus escravos. Precisamos de bens para viver, mas não precisamos de fazer deles o centro da nossa existência.
A pergunta não é apenas «O que tenho?», mas também: «Aquilo que tenho está a tornar-me mais livre ou está a prender-me?»
Esvaziar o coração
A pobreza franciscana começa no coração. Não significa desprezar as coisas boas da vida, nem pensar que devemos viver sem o necessário. Significa aprender a não ocupar todo o espaço connosco próprios.
Quando estamos cheios de orgulho, de ambição ou da necessidade de ter sempre razão, sobra pouco espaço para Deus e para os outros. Quando deixamos cair algumas dessas barreiras, tornamo-nos capazes de acolher, escutar e partilhar.
Francisco descobriu que a verdadeira liberdade nasce da confiança em Deus. Como os pássaros do céu e os lírios do campo, quis viver sem transformar a segurança material na sua maior preocupação.
Uma pobreza que transforma o mundo
A pobreza franciscana não é apenas uma escolha pessoal. Tem consequências na forma como vivemos com os outros.
Quem não precisa de estar sempre acima dos outros pode servir sem procurar reconhecimento. Quem não vive agarrado ao que possui consegue partilhar. Quem não faz do poder o seu objetivo pode aproximar-se dos mais frágeis.
Por isso, a pobreza de Francisco não é uma fuga do mundo. É uma maneira diferente de estar nele: com simplicidade, fraternidade e atenção a quem fica para trás.
O que preciso de deixar?
A vida de São Francisco deixa-nos uma pergunta que continua atual, sobretudo para os jovens: de que coisas preciso de me libertar para viver com mais verdade?
Talvez não seja apenas de objetos. Pode ser da necessidade de aprovação, da comparação constante com os outros, do medo de perder, da vontade de controlar tudo ou de pensar que só valemos pelo que conseguimos alcançar.
Ser pobre à maneira de Francisco não é perder tudo. É descobrir que não precisamos de possuir tudo para sermos felizes. É reconhecer que a vida é um dom recebido e que esse dom se torna mais pleno quando também nós nos fazemos dom para os outros.
A verdadeira pobreza não nos esvazia de vida: liberta-nos do que nos impede de amar.
Paz e Bem!
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