Por Felice Autieri
Arquivo Sacro Convento
Tradução livre de Frei José Augusto Marques
No contexto do Jubileu Franciscano e dos 800 anos da morte de São Francisco, é importante recordar um momento marcante da história da Basílica de Assis: a redescoberta do corpo do Santo.
Em 1818, o Ministro geral Giuseppe De Bonis pediu ao Papa Pio VII autorização para retomar as escavações iniciadas anos antes. Já em 1806 tinha havido uma tentativa, mas os acontecimentos políticos ligados às invasões napoleónicas obrigaram a interromper os trabalhos.
Com a situação estabilizada, decidiu-se escavar de novo, desta vez de modo sistemático e discreto. Os trabalhos eram feitos de noite, sob o pavimento da basílica inferior, para não perturbar os peregrinos.
Foi aberto um túnel com cerca de sete metros, avançando lentamente sob o altar-mor. Durante semanas, os operários trabalharam em condições difíceis, quebrando betão endurecido ao longo dos séculos com ferramentas pesadas.
Depois de 52 noites de trabalho, chegaram finalmente ao lóculo funerário. Encontraram barras de ferro, pedras cuidadosamente colocadas e, por fim, uma grade que protegia o interior.
Ao introduzir uma vela por uma pequena abertura, puderam vislumbrar o corpo.
Segundo o relato enviado ao Papa pelo Custódio do Sacro Convento, o corpo de São Francisco foi visto intacto. Quando a pedra foi removida e o ar entrou, algumas partes começaram a ceder. Era o dia 12 de dezembro de 1818, pelas 22 horas.
Meses depois iniciaram-se os trabalhos para a construção do túmulo atual, concluído em 1824.
Recordar este acontecimento, no ano jubilar, não é apenas recordar um facto arqueológico. É recordar que a memória de Francisco atravessa os séculos. O seu corpo foi encontrado sob o altar, como sinal de uma vida escondida que continua a sustentar a Igreja.
Celebrar os 800 anos da sua morte é redescobrir não apenas um túmulo, mas uma herança viva.
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