Existem mais semelhanças ou diferenças entre agostinianos e franciscanos?

Gelsomino Del Guercio

Publicado em 19-05-2025, sanfrancescopatronoditalia.it

No panorama multiforme da vida religiosa cristã, os Agostinianos, a ordem de proveniência do Papa Leão XIV, e os Franciscanos representam duas entre as ordens mendicantes mais influentes e duradouras. Ambas nascidas na Idade Média, marcaram profundamente a espiritualidade, a teologia e o compromisso social da Igreja. Embora partilhando o ideal de uma vida evangélica radical, as suas origens, os seus carismas específicos e as suas ênfases teológicas apresentam diferenças significativas.

A primeira distinção fundamental reside nas suas origens. A Ordem de Santo Agostinho afunda as suas raízes na figura de Santo Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), um dos maiores Padres da Igreja. A regra deles, inspirada nos seus escritos e em particular na sua Regra, enfatiza a vida comunitária, a procura interior de Deus e a centralidade da graça divina. Os Agostinianos consideram-se os herdeiros de uma longa tradição teológica e filosófica.

A Ordem dos Frades Menores, normalmente conhecida como Franciscanos, nasce da experiência carismática de São Francisco d’Assis (1181/1182-1226).

A sua vida, marcada pela pobreza, a humildade, a fraternidade universal e pela imitação de Cristo pobre e crucificado, tornou-se o coração do seu movimento.

A Regra franciscana, com as suas sucessivas revisões, reflete este espírito de simplicidade e de serviço alegre ao próximo.

O carisma agostiniano concentra-se sobre a procura da verdade e de Deus através da vida interior, do estudo e da oração comunitária. A importância atribuída à graça divina como motor da salvação e à vida comunitária como lugar privilegiado para o crescimento espiritual são traços distintivos.

A sua espiritualidade é muitas vezes descrita como intelectual e contemplativa, com um forte empenho no ensino e na reflexão teológica.

O carisma franciscano, por outro lado, é caracterizado por uma forte ênfase sobre a imitação de Cristo pobre e humilde, sobre a fraternidade com todas as criaturas e sobre o anúncio do Evangelho através da palavra e sobretudo com o exemplo de vida. A alegria evangélica, a simplicidade, a pobreza e o amor pelos pobres e pelos marginalizados são elementos centrais da espiritualidade franciscana. A sua abordagem é muitas vezes descrita como prática e missionária, com uma forte atenção à ação caritativa e à pregação popular.

Também a nível teológico se podem encontrar algumas diferenças, mesmo dentro da estrutura da fé cristã comum. A teologia agostiniana teve uma influência profunda sobre a doutrina da graça, do pecado original e da predestinação. A importância da vontade de Deus e da sua ação salvífica é central no seu pensamento.

A teologia franciscana, mesmo bebendo também ela da tradição patrística, desenvolveu uma particular sensibilidade pelo mistério da Incarnação e pela humanidade de Cristo. o amor de Deus que se manifesta plenamente no Filho feito homem e a dignidade da pessoa humana criada à imagem de Deus são temas recorrentes no seu pensamento.

Figuras como São Boaventura e Duns Scoto enriqueceram a teologia com perspetivas originais.

Traduzido, fr. zé augusto

Contactos em Portugal

Para mais informações, contacta:

  • Frei José Carlos Matias (Viseu)
    Tel.: 232 431 985 | Email: freizecarlos@gmail.com

  • Frei André Scalvini (Lisboa)
    Tel.: 21 837 69 69 | Email: andreasfrater4@gmail.com

  • Frei Fabrizio Bordin (Coimbra)
    Tel.: 239 71 39 38 | Email: freifabri@gmail.com

Partilhe este artigo:

Outras Notícias