
Por fra Alberto Tortelli
Tradução livre de Frei José Augusto Marques
Hoje celebramos a festa da impressão dos estigmas de São Francisco. A sua escolha radical de viver no amor do Pai é um exemplo do que significa amar Cristo e estar disposto a dar a vida por Ele.
A experiência de Francisco
Foi a 17 de setembro de 1224, por volta da festa da Exaltação da Santa Cruz, que o Pobrezinho de Assis, encontrando-se no amado monte Alverne, na Toscana, recebeu no seu corpo as marcas das chagas de Cristo crucificado. Nas mãos, nos pés e no peito ficaram impressos os sinais da Paixão.
Francisco chegou ao Alverne num período particularmente difícil e doloroso da sua vida. Era atormentado pela dúvida de ter errado em tudo o que fizera. Faltavam apenas dois anos para a sua morte, e uma existência inteiramente dedicada a um sonho evangélico parecia estar a desmoronar-se.
A missão de paz que tentara realizar na Terra Santa não tivera o resultado esperado: cristãos e muçulmanos voltavam a fazer guerra. Entretanto, sentia-se posto de parte pelos próprios frades e afastado da orientação da Ordem. A Regra que escrevera era contestada por muitos. Também o seu corpo estava profundamente debilitado: quase cego e atormentado por dolorosas doenças.
Mas havia uma provação ainda mais profunda: Jesus parecia distante, como se permanecesse surdo ao seu grito de angústia. Francisco atravessava uma noite escura do espírito.
No monte Alverne, viveu o seu Getsémani, a sua Paixão e a sua Páscoa. Aceitou aquela que talvez tenha sido a sua última e mais difícil obediência: o despojamento radical de si mesmo, a renúncia aos seus projetos, sonhos e expectativas em relação à Ordem, aos frades e aos outros.
Aprendeu a reencontrar, apenas em Jesus crucificado, o sentido de toda a sua vida. Foi uma passagem que o tornou mais livre, como um homem ressuscitado para uma vida nova, plenamente identificado com o Senhor Jesus.
No final daquele caminho interior, encontrou uma resposta decisiva para as suas dúvidas: era a cruz que exprimia, de modo profundo e definitivo, o seu desejo de ser verdadeiro discípulo de Cristo.
Não é por acaso que a liturgia da festa dos estigmas aplica a São Francisco estas palavras de São Paulo:
«Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20).
E ainda:
«De agora em diante, ninguém mais me venha perturbar, pois eu levo no meu corpo as marcas de Jesus» (Gl 6, 17).
Caro jovem que procuras e estás à escuta, contempla e medita o caminho indicado por São Francisco. Ele foi tão profundamente amigo de Cristo que desejou tornar-se semelhante a Ele em tudo, deixando-se transformar pelo Seu amor.
Sobretudo se sentes nascer em ti o desejo de abraçar a vida franciscana, recorda que o objetivo não é simplesmente imitar exteriormente Francisco. Trata-se de deixar que Cristo transforme a tua vida, para que também tu possas ser sinal da Sua presença no meio desta humanidade, ao mesmo tempo frágil e maravilhosa.
Deixa que o mistério dos estigmas te interrogue acerca dos teus desejos mais profundos. Permite que estas feridas de amor encontrem também lugar na tua vida e no teu coração.
Uma proposta para ti
Para te ajudar a caminhar à luz destas marcas, nós, frades, propomos o Grupo São Damião, um percurso de orientação e discernimento vocacional destinado a jovens que se sentem atraídos e interpelados pela radicalidade evangélica do Pobrezinho de Assis.
Se desejas caminhar com outros jovens e compreender melhor a vontade do Senhor para a tua vida, vem ao nosso encontro. Esperamos por ti para fazermos este caminho juntos.
Que esta experiência te ajude e encoraje. Não tenhas medo: confia sempre no Senhor e permanece atento aos Seus apelos.
Contactos em Portugal
Para mais informações, contacta:
Frei José Carlos Matias (Coimbra)
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