
do frei André Scalvini
Para quem não conhece, Medjugorje é uma aldeia na Bósnia Herzegovina (mas de população pela maioria croata) onde a perseguição otomana, primeiro, e o regime comunista, depois, fizeram tábua rasa de muitos valores cristãos construídos ao longo dos séculos, mas não conseguiram extirpar a fé do coração dos homens.
Foi assim que, nesta passagem entre a Europa e o Oriente, nesta encruzilhada de religiões e culturas, no começo dos anos Oitenta, a Virgem Maria escolheu este lugar e, de forma especial, apareceu a seis adolescentes, para, como Ela mesma diz, “renovar o mundo”.
Quando vinha a Medjugorje, ainda adolescente, não queria ir embora, queria lá ficar para sempre. Medjugorje, além de ter sido uma etapa decisiva para a minha vocação, foi uma experiência de fé profunda, que tive a graça de viver com a minha família, os meus amigos e várias pessoas da minha paróquia.
O dom da vocação
Voltei em junho, depois de 19 anos da última vez que lá estive, e vendo em mim as maravilhas da misericórdia de Deus neste tempo todo, senti uma grande gratidão e o desejo de regressar à minha comunidade, ainda que com alguma saudade, para testemunhar que ali o Evangelho é mais vivo do que em qualquer outro lugar da Terra.
Viver essa peregrinação como frade e sacerdote foi uma experiência muito forte: pude agradecer ao Senhor no lugar onde nasceu a minha vocação, mas também reconheci que aquela inspiração não foi apenas uma aposta ou uma esperança, agora, é uma realidade, e sinto que o Senhor quer continuar a caminhar e a construir os seus caminhos comigo, com a presença fiel e constante da Virgem Maria.

Uma Novena especial
Neste final de junho vivemos uma experiência única, chamados por Ela a rezar uma novena em agradecimento pelos 45 anos da sua presença connosco, como Rainha da Paz. Participámos aos últimos três dias de 22 a 24, subindo a colina das aparições (Podbrdo), depois do programa da tarde na paróquia, com terços e Eucaristia.
Logo após a celebração, um rio de gente — todos os que tinham condições para subir — encaminhava-se por uma colina pedregosa e íngreme, onde de facto só há pedras, arbustos, espinhos e terra seca. Mas ali, dezenas de milhares de peregrinos vindos de todos os recantos do mundo sabiam que eram um só coração e uma só voz com a “Gospa” (a palavra croata para dizer Nossa Senhora), que dali a pouco apareceria à vidente Marja.
A intensidade daqueles momentos foi indescritível. Ficávamos uma hora a rezar e a meditar o terço, também com canticos, e ao fim, enquanto as orações prosseguiam, a voz da vidente interrompia-se e começava o momento de êxtase — para nós peregrinos, um momento de silêncio e de entrega. Por fim, já perto da meia-noite, ao ouvir a breve mensagem que Nossa Senhora deixava diariamente, a alegria brotava espontaneamente em orações e em cânticos, sempre guiados de forma intensa pelo grupo de oração.
Na descida, várias pessoas precisavam de apoio para não cair, mas todos chegavam incólumes e cheios de alegria ao pé da colina, e depois às suas casas, para descansar. A Paz que nascia no coração era grande.

À escola de Maria
Vivi esta peregrinação com dois irmãos mílites da Milícia da Imaculada, alguns paroquianos, amigos e outros peregrinos vindos de diferentes lugares de Portugal, todos guiados pelo Padre Carlos Macedo, dos Caminhos de Maria. Foi inesquecível.
Na mensagem que Nossa Senhora nos deixou, no dia do aniversário das aparições, 25 de junho, Ela transmitiu-nos a certeza de que, a não ser pelo pecado ou por obra do Maligno, não existe tristeza capaz de nos tirar a alegria de estar em comunhão com Jesus, seu Filho. Deu-nos um coração transbordante de alegria. O Paraíso na Terra.

O Futuro da Igreja
A meu ver, Medjugorje é o futuro da humanidade, aliás, atrevo-me a dizer que é o futuro da Igreja: gente de todo o mundo a rezar em conjunto, como fossem familiares ou amigos desde sempre. Juntos para adorar o Senhor, sem se preocupar com o tempo que passa. Colocar os seus Sacramentos e a sua Palavra em primeiro lugar. Deixar-se guiar pelo seu Amor. Filas de gente aos milhares nos confessionários, todos os dias a qualquer hora. Dezenas de obras de caridade e de institutos religiosos nascidos ou renovados aí, inspirados ou até pedidos pela Rainha da Paz, vocações sem contar.
Medjugorje não é só uma experiência forte entre outras, nem uma experiência “exótica” que devemos guardar no nosso “palmarés” espiritual como católicos; é invés um caminho de Verdade, Amor e Renovação que torna real a Ressurreição de Cristo e a Esperança Evangélica, no Mundo atual, perdido e vazio, mas sedento desta Graça. Medjugorje renova o Mundo. A aldeia tornou-se uma cidade.
O meu obrigado vai ao padre Carlos por esta oportunidade, obrigado aos “Caminhos de Maria” (medjugorje.pt) e a todos os amigos peregrinos, mas principalmente obrigado à “Gospa” que continua a indicar o caminho à humanidade; nesses dias percebi do profundo do meu coração que a minha vida e a minha vocação já não me pertencem, porque quando estamos a serviço do Senhor e da sua querida Mãe, a missão é para e com os irmãos.
Frei André P.M. Scalvini.

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