Uma peregrinação a Taizé
De 25 de julho a 2 de agosto, um grupo de 56 participantes, constituído por jovens, animadores e pelos Frades José Carlos Matias e Tiago Figo, partiu de Coimbra rumo a Taizé, em França. O grupo reunia pessoas provenientes de Viseu, Lisboa e, sobretudo, da Paróquia de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Juntos, iniciámos uma peregrinação marcada pelo encontro, pela oração, pelo silêncio, pela reflexão, pelo serviço e pela fraternidade.
O que é Taizé?
Taizé é uma pequena aldeia da Borgonha, em França, onde, desde 1940, existe uma comunidade monástica cristã fundada pelo irmão Roger Schutz. A Comunidade de Taizé tornou-se, ao longo das décadas, um lugar de encontro para jovens de todo o mundo. Ali chegam milhares de jovens, sobretudo durante o verão, para viver alguns dias de oração, silêncio, reflexão, partilha, serviço e fraternidade.
É uma experiência marcada pela simplicidade. Pessoas de diferentes países, culturas, línguas e também de diferentes confissões cristãs encontram-se no mesmo lugar, rezam juntas, escutam a Palavra de Deus, participam em pequenos grupos e assumem as tarefas simples da vida comunitária.
É difícil explicar Taizé apenas com palavras. É um lugar que se compreende melhor quando se experimenta.
A viagem também faz parte
A experiência começou muito antes de chegarmos a Taizé. Ao longo do verão fizemos 3 encontros de preparação. No dia 25, depois de uma celebração de envio, foram muitas horas de autocarro entre Coimbra e França. Houve cansaço, claro, mas também conversas, música, brincadeiras, partilhas, momentos de silêncio e muita convivência.
A viagem foi também uma oportunidade para nos conhecermos melhor. Jovens que nem todos se conheciam foram criando laços e começando a perceber que aquela semana seria vivida como um verdadeiro caminho em conjunto.
Milhares de jovens, uma só experiência
Quando chegámos a Taizé, encontrámos milhares de jovens vindos de todo o mundo. Países diferentes, línguas diferentes, culturas diferentes e diferentes maneiras de viver a fé.
E, no entanto, havia algo que nos reunia: a procura de Deus, o desejo de encontrar sentido, a vontade de escutar e a disponibilidade para caminhar com outros.
Esta diversidade foi uma das grandes riquezas da experiência. Em Taizé, percebemos que a fé não é vivida por todos da mesma forma. E isso não precisa de ser uma dificuldade. Pode ser uma riqueza.
Como escreveu Camila no seu testemunho: «Acredito que esta semana me ajudou a entender que cada um vive a fé à sua maneira e que a verdadeira beleza da nossa religião é podermos partilhar essa fé uns com os outros.»
O silêncio que fala
Três vezes por dia, a igreja de Taizé enchia-se de pessoas para a oração. Cânticos, textos da Escritura, oração e, no centro, longos momentos de silêncio.
Talvez esta tenha sido uma das imagens que mais levamos connosco: uma igreja cheia de jovens em silêncio.
Num mundo marcado pelo ruído, pela velocidade, pelo telemóvel e pela necessidade constante de estar ocupados, o silêncio pode tornar-se estranho. Em Taizé, descobrimos que o silêncio não é simplesmente ausência de som. Pode ser um espaço para escutar.
Manuel escreveu: «Em Taizé, o silêncio deixou de ser apenas ausência de som e passou a ser um espaço onde pude escutar pensamentos e sentimentos.»
Catequese, reflexão e partilha
Os dias não eram feitos apenas de oração. Havia catequeses, reflexões bíblicas, pequenos grupos, partilhas e momentos de encontro.
Cada participante era convidado a olhar para a própria vida, a escutar a Palavra de Deus e a partilhar com outros aquilo que estava a descobrir.
Também aqui não havia uma experiência igual para todos. Cada um chegava com a sua história e regressava com perguntas diferentes.
Alegria, festa e serviço
Taizé também foi alegria. Houve música, convívio, jogos, encontros, gargalhadas e momentos de festa. A experiência do silêncio coexistia com a espontaneidade e a alegria própria de tantos jovens juntos.
Houve também serviço. As pequenas tarefas quotidianas recordavam-nos que uma comunidade não se constrói apenas com grandes ideias. Constrói-se quando cada pessoa está disponível para os outros e assume a sua parte.
Nem sempre encontramos respostas
Talvez uma das maiores surpresas desta peregrinação tenha sido perceber que Taizé não é necessariamente um lugar onde encontramos respostas para tudo.
Camila partiu à procura de «paz e respostas», mas encontrou também «um caos interior» e regressou com mais perguntas.
E talvez isso seja profundamente importante.
Manuel resume-o numa frase que pode ser uma das chaves desta experiência: «Taizé não me deu necessariamente respostas para tudo, mas deu-me espaço para fazer perguntas.»
E agora, o regresso
No dia 2 de agosto, começámos a viagem de regresso a Portugal. Deixávamos Taizé, mas não queríamos deixar para trás aquilo que tínhamos vivido.
Regressámos com novas amizades, novas perguntas, memórias, momentos de oração, rostos, músicas, silêncios e histórias que cada um levará consigo.
Mas fica também um desafio: o que fazemos agora com aquilo que vivemos?
Taizé não pode ficar apenas como uma bonita semana de verão. O verdadeiro desafio começa quando regressamos à nossa vida habitual: continuar a procurar, aprender a escutar, reservar espaço para o silêncio, cuidar dos outros e viver a fé em comunidade.
Talvez seja essa a verdadeira continuação da peregrinação.
Taizé ficou para trás. Mas o caminho continua.
Contactos em Portugal
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