
Recordam-se hoje entre nós frades e freiras ligados à espiritualidade de são Francisco, os santos da Ordem Franciscana. Conhecer santos ajuda-nos a compreender quem é um santo e o que tem a ver a sanidade com a nossa vida!
Ser santos, ser humanos!
Querendo falar-vos desta nossa bela ocorrência, parto de uma reflexão nascida em mim, durante uma recente visita a uma exposição, enquanto admirava uma obra um pouco enigmática de um artista dos anos ‘900, Lucio Fontana. Com letras simples e “escolásticas” e planas e azuis, este sobre a tela escreve: eu sou um santo. O quadro na realidade é atormentado por cortes e feridas e, entre parêntesis, no alto lê-se a lápis um “não” (eu “não” sou um santo). Na retaguarda, com letras ocres, o autor escreve: eu sou uma carniça.

Não me considero com certeza um especialista de arte contemporânea, mas pensando nos jovens em discernimento que acompanho, gostei de ver nesta obra uma provocação: por um lado eis o anseio genuíno escrito no coração de tantos à santidade e também, muitas vezes, à vida religiosa! Quer dizer, a uma vida atraída pelo Senhor Jesus e inspirada no evangelho e nos grandíssimos ideais franciscanos, por outro lado também a fadiga, as dúvidas, os obstáculos, as incertezas, as tentações, os pecados e as feridas que também fazem parte da sua vida (como da vida de cada um!)

Mais em geral, esta obra parece-me de verdade representativa da nossa humanidade, marcada ao mesmo tempo pelo mal e por tantas contradições, e, contudo, também sempre pela Graça e pela presença do Senhor, se o soubermos reconhecer e invocar e confiarmo-nos.
Emblemáticos a este ponto me pareceram aqueles cortes profundos e aquelas incisões que trespassam de um lado ao outro a obra de L. Fontana; quase uma ponte possível entre o bem e o mal; entre o frente e o verso, o visível e o escondido; passagem para a Luz e a Graça para as zonas mais obscuras e negativas de nós.
Como frade franciscano, o meu pensamento foi então para os estigmas de são Francisco, para os buracos dos pregos da cruz nas mãos e nos pés de Jesus, para as feridas que inevitavelmente trespassam também cada um de nós. Feridas que, em Jesus e só em Jesus, se podem transformar em “arranhões” onde Ele pose passar, curar e dar sentido e vida nova; chagas que nele se transformam em oportunidade e renovada esperança, lacerações que só por Jesu se tornam ocasiões de perdão e compaixão e amor para connosco mesmos e os outros.
Este, caros irmãos é o caminho mais autêntico e possível para a santidade. Não nos é pedido para ser tais uma vida desencarnada e ascética ou uma perfeição inalcançável, mas a coragem e a humildade de nos olharmos em verdade e nos acolhermos com misericórdia e compaixão, deixando-nos continuamente transfigurar e plasmar e iluminar e ensinar pelo Senhor Jesus e pelo seu Evangelho.
É um caminho atrás Dele a iniciar todos os dias com confiança e alegria de coração.
Portanto …vos encorajo e vos acompanho!

Festa dos Santos Franciscanos – 29 novembro
Este caminho foi percorrido ao longo dos séculos por tantíssimas pessoas que acreditaram em jesus: eis os Santos!
A Ordem Franciscana foi em todos os tempos uma casa de santidade. Trata-se de uma grande multidão proveniente de todos os setores sociais e de todos os povos. Há mártires, doutores, sacerdotes, irmãos religiosos, leigos, virgens, santas mulheres…: santos famosos e conhecidos, assim como figuras “pequenas” e escondidas e “mínimas”. Uma multidão imensa reunida à vota do pobrezinho de Assis, “marcado com o selo do Deus vivo” na sua carne (os sagrados Estigmas).
Homens e mulheres que escolhendo a humildade e a pobreza, saciaram o seu coração na eterna fonte do amor – Jesus – o único que dá a alegria e a paz verdadeira.
Por Ele se gastaram sem medida, também dispostos a oferecer a vida.
O seu segredo: um SIM, um EIS-ME AQUI, de entrega e abandono absoluto nas mãos de Deus, pai bom. No próprio tempo e segundo as respetivas capacidades, fizeram de Jesus Cristo o centro da própria existência, tornando-se instrumentos de paz e de esperança para muitos: pobres, famintos, nus, doentes, perseguidos, presos… Cada sua palavra “sabe de Evangelho” e as suas obras “perfumam de Cristo”.
A festa de todos os Santos da Ordem franciscana, celebra-se neste dia porque em 29 novembro 1223, Francisco e os seus primeiros frades receberam a aprovação definitiva da Regra da parte do papa Honório III. O pergaminho original está conservado em Assis, na capela das relíquias da Basílica de São Francisco.
Nesta ocorrência nós frades franciscanos, fazemos memoria e renovamos os Votos de castidade e pobreza e obediência pronunciados a seu tempo, publicamente, com a Profissão Religiosa e, sob o exemplo de são Francisco, nosso Seráfico pai e de tantos santos nossos confrades, nos reconfirmamos no desejo e na vontade de “observar fielmente o santo Evangelho”.
O luminoso testemunho dos Santos Franciscanos , pode recordar também a todos nós que a santidade não é qualquer cosia do passado, nem um itinerário para poucos ou o privilégio de uma elite… Trata-se de uma estrada sempre aberta para quem decide começa-la, um convite sempre novo para quem o queira acolher e pôr em prática.
fra Alberto
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