O coração da Magnifica Humanitas
Depois de apresentar as razões que levaram Leão XIV a escrever a Magnifica Humanitas, importa agora entrar no coração da sua proposta. Ao longo da encíclica, o Santo Padre regressa continuamente a uma convicção fundamental: a pessoa humana é o centro de toda a reflexão cristã sobre o progresso, a sociedade e o futuro.
A verdadeira questão não é saber até onde a tecnologia pode chegar, mas até onde queremos conduzir a humanidade.
A pessoa humana no centro
A Magnifica Humanitas recorda que cada pessoa possui uma dignidade que não depende das suas capacidades, da sua utilidade ou da sua eficiência. O seu valor nasce do facto de ter sido criada à imagem de Deus e chamada à comunhão com Ele.
“Cada pessoa, constitutivamente feita para a relação, é pensada e desejada por Deus para entrar numa história de comunhão com Ele, com os outros e com a criação.” (Magnifica Humanitas, n. 50)
Quando esquecemos esta verdade, corremos o risco de reduzir o ser humano a um simples número, consumidor ou produtor.
A tecnologia deve servir o homem
Leão XIV não condena o progresso científico. Pelo contrário, reconhece os enormes benefícios que ele pode oferecer.
Mas lembra que nenhuma inovação pode substituir aquilo que é próprio da pessoa humana.
“Nenhum sistema de cálculo, por mais sofisticado que seja, gera um coração que se entrega ou uma consciência que discerne o bem.” (Magnifica Humanitas, n. 233)
A inteligência artificial pode apoiar muitas decisões, mas nunca poderá substituir a liberdade, a responsabilidade, o amor ou a consciência.
A verdade constrói a comunhão
Num tempo marcado pela rapidez da informação e pela facilidade com que se difundem falsidades, a encíclica insiste também na responsabilidade de procurar a verdade.
Leão XIV escreve:
“Só a busca partilhada da verdade factual, assumida como bem comum, pode dar origem a uma correta comunicação.” (Magnifica Humanitas, n. 132)
Sem verdade não existe confiança. Sem confiança torna-se impossível construir relações, comunidades e sociedades verdadeiramente humanas.
A civilização do amor
Todo o percurso da encíclica conduz finalmente a uma proposta positiva: construir uma verdadeira civilização do amor.
Uma sociedade onde o progresso esteja ao serviço da pessoa, onde a técnica respeite a dignidade humana e onde o bem comum prevaleça sobre os interesses individuais.
“A paz não é um tema entre tantos outros, mas uma condição do bem comum universal.” (Magnifica Humanitas, n. 182)
Esta paz nasce da justiça, da solidariedade, da fraternidade e da responsabilidade de todos.
Cristo, plenitude da humanidade
A Magnifica Humanitas termina onde verdadeiramente começou: em Cristo.
É n’Ele que a pessoa humana encontra o seu rosto mais verdadeiro. É n’Ele que a Igreja descobre a missão de servir o mundo sem nunca perder de vista a dignidade de cada homem e de cada mulher.
“A espiritualidade que necessitamos é uma espiritualidade eucarística, ou seja, uma espiritualidade da unidade eclesial no amor.” (Magnifica Humanitas, n. 234)
No próximo artigo procuraremos descobrir como esta encíclica pode transformar a nossa vida quotidiana. Porque uma grande encíclica não termina quando fechamos o livro; começa verdadeiramente quando a deixamos entrar no nosso coração.
Como podemos fazer da Magnifica Humanitas um caminho concreto para a nossa vida cristã?
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