por Luciano Verdone
No próximo mês de dezembro vamos olhar para a Encarnação: Deus que deixa o céu e vem habitar connosco. O Advento é exatamente isso: o tempo em que recordamos a vinda do Senhor — a que aconteceu em Belém, a que acontece hoje na nossa vida e a que acontecerá no fim dos tempos.
Deus vem por amor
A Sagrada Escritura é a grande história de um Deus que procura o ser humano. Ele não vem por obrigação, mas por amor. Como uns pais que procuram um filho desaparecido, Deus procura-nos porque vê em nós a sua imagem.
O Senhor já veio ao mundo uma vez, quando Jesus habitou entre as pessoas. E virá novamente no fim dos tempos, quando “Deus habitará no meio de nós e enxugará todas as lágrimas” (Ap 21,3-4).
Mas Ele também vem agora, no silêncio da oração, na luz que nos inspira, no consolo que nos alcança, nos pequenos sinais que tocam o coração.
Uma história feita de espera
Toda a Bíblia é a história de uma personagem esperada.
- O Antigo Testamento vive da espera do Messias.
- O Novo Testamento anuncia que Ele veio.
- A Igreja espera-O de novo, proclamando: “E de novo há de vir na glória”.
Se abríssemos a Bíblia entre Malaquias e Mateus, encontraríamos o ponto de viragem: o momento em que a esperança se torna presença — e, a partir daí, começa uma nova espera.
A morte como encontro
Antes de Jesus, a morte era vista como entrada na escuridão.
Depois de Jesus, tornou-se encontro:
o encontro com Aquele que nos ama, como o abraço do esposo que chega de noite.
Para o cristão, a morte é regresso a casa, como Deus promete por Ezequiel: “Reconduzir-vos-ei à vossa terra” (Ez 36,24).
Advento, Natal e felicidade
No mundo antigo não existia a ideia de “felicidade” como a entendemos hoje. Foi o cristianismo que introduziu esta esperança: a alegria nascida da vinda de um Salvador.
É por isso que o Anjo diz aos pastores:
“Anuncio-vos uma grande alegria” (Lc 2,10-11).
Depois de Belém, a humanidade passou a viver com uma luz nova: a vida tem sentido, mesmo nas suas incógnitas.
Deus que rompe a linha do tempo
Para muitos povos antigos, a história era um círculo que se repetia sempre igual.
Com Cristo, o tempo torna-se caminho:
- não é repetição
- é esperança
- é avanço para mais vida
“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho” (Gl 4,4).
Desde então, caminhamos para a sua vinda gloriosa.
Deus revela-se no rosto de um Menino
No Natal, Deus não vem como força ou poder.
Vem como um Menino: pobre, frágil, visível, próximo.
- Deus põe-se nas nossas mãos.
- O Pai faz-se Filho.
- O Criador torna-se criatura.
E fá-lo de verdade. Não “entra” num homem, não parece homem por instantes: faz-se homem para sempre.
No céu existe um homem com corpo — Jesus — sentado ao lado de Deus.
E existe uma mulher com corpo — Maria — acolhida no amor da Trindade.
Isto revela a dignidade e a santidade do nosso corpo humano.
Um Deus com rosto humano
Hoje, como dizia Bento XVI, o maior desafio não é acreditar que Cristo é Deus, mas acreditar num Deus sem Cristo.
Sem a Encarnação, ficaríamos presos a um Deus distante ou confuso.
Com o Natal, descobrimos que “Deus tem um rosto”.
E, como dizia Kierkegaard, o que realmente importa ao ser humano não é saber se Deus existe, mas se Deus é amor.
A Encarnação responde: sim, Deus é amor que desce, se aproxima, se inclina e nos toma pela mão.
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