O diaconado

Por Frei Damiano Castagna

Um convite a fazer aquilo que Jesus fez

Quaresma, tempo de conversão e vocação

Neste tempo quaresmal, somos convidados a voltar ao essencial, a rever a nossa vida e a nossa vocação à luz do Evangelho. A Quaresma chama-nos a viver com mais verdade, a deixar-nos converter e a configurar a nossa vida com a de Cristo servo. É neste horizonte que partilhamos convosco este testemunho, que nos ajuda a compreender melhor o sentido do diaconado como serviço, dom e caminho de seguimento de Jesus.

O diaconado na Igreja

O diaconado nasce na Igreja primitiva como resposta a uma necessidade concreta: cuidar dos mais frágeis, especialmente das viúvas esquecidas pela comunidade. Desde o início, o diácono é sinal de serviço. Com o tempo, a este serviço juntou-se o anúncio do Evangelho e a distribuição da Comunhão, sobretudo aos doentes, para que a Palavra proclamada se tornasse vida concreta.

Este serviço pertence, de algum modo, a todos os batizados. Mas no diácono assume uma forma oficial e visível, colocada ao coração da vida da Igreja.

São Francisco, diácono

Há um dado que nem todos conhecem: São Francisco de Assis era diácono. Conta-se que, na noite de Natal em Greccio, foi ele quem cantou solenemente o Evangelho. O seu amor por Cristo, que se fez pequeno e servo, levou-o a identificar-se profundamente com este ministério.

Também aqui encontramos uma ligação forte entre diaconado, Encarnação e serviço, tão própria do carisma franciscano.

Um testemunho vivido

Fra Andrea foi ordenado diácono na vigília da solenidade de Todos os Santos. Para ele, este momento foi vivido como uma passagem de graça, em que a vida deixa de ser apenas “sua” para se tornar dom oferecido.

Na sua reflexão, descreve o diácono como alguém que vive um “ministério de limiar”: ponte entre o altar e a assembleia, entre a Palavra proclamada e a vida quotidiana, entre o serviço a Deus e o serviço aos homens. Não é um “sacerdote a meio caminho”, mas sinal concreto de Cristo servo, que recorda a toda a comunidade que o culto verdadeiro só se realiza no amor.

Viver como Jesus, fazer como Jesus

Com palavras simples, fra Andrea resume assim a sua experiência:
com a consagração religiosa, foi-lhe dado viver como Jesus; com o diaconado, é-lhe pedido fazer como Jesus.
Unem-se, assim, o estilo de vida e a missão, a contemplação e a ação, o altar e a vida.

O diaconado não é apenas tarefa. É também deixar-se fazer, deixar-se modelar por Deus, como barro nas mãos do Oleiro. Um caminho que pede conversão contínua, humilde e paciente.

Servir o altar e servir a vida

No coração do ministério diaconal está o serviço. Serviço ao altar, visível nos gestos litúrgicos. Serviço à vida, que nasce daquilo que se celebra. Proclamar o Evangelho, convidar à paz, enviar a assembleia ao mundo são gestos simples, mas cheios de sentido.

O desejo que atravessa este testemunho é claro: servir Deus e servir os irmãos é a mesma coisa, porque é o mesmo Amor que se faz gesto, palavra e presença.

Neste tempo de Quaresma, este testemunho recorda-nos que toda a vocação cristã é chamada a aprender de Jesus a viver, pensar e agir como servo, sem medo de se pôr de joelhos por amor.

frei Damiano Castagna (Testemunho de fra Andrea)

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