Por: Antonio Tarallo
(Publicado em 25-02-2022, sanfrancescopatronoditalia.it)
Tradução Frei José Augusto
Janeiro, mês da paz
Neste mês de janeiro, que dedicamos de modo especial à paz, voltamos o olhar para São Francisco de Assis, figura profundamente atual num mundo marcado pela guerra, pelo medo e pela violência. A sua vida lembra-nos que a paz não nasce de acordos externos, mas de uma conversão profunda do coração.
“Faz de mim um instrumento da tua paz”
A conhecida oração atribuída a São Francisco exprime bem o espírito da sua vida. Num tempo histórico delicado, estas palavras soam como um apelo urgente e como uma esperança: que o fogo da guerra possa apagar-se, assim como começou.
A própria palavra “guerra” carrega em si a violência do combate. Nada tem de belo. Francisco conhecia bem esta realidade, porque viveu a guerra em primeira pessoa.
Francisco e a experiência da guerra
Na juventude, Francisco foi homem de armas. Sonhava tornar-se cavaleiro, alcançar prestígio e glória. A guerra parecia-lhe o caminho mais rápido para esse ideal. Participou no conflito entre Assis e Perugia e esteve na batalha de Collestrada.
Não sabemos se matou alguém. Mas sabemos com certeza que ali conheceu o verdadeiro rosto da guerra: destruição, sofrimento, derrota. Foi feito prisioneiro e só regressou a casa um ano depois, mediante resgate pago pelo pai.
Da espada à conversão
Francisco tentou ainda participar numa cruzada. Mas, ao chegar a Spoleto, adoeceu e regressou. Não foi apenas um regresso físico. Foi o início de uma mudança radical. A partir daí, começa a conversão que transformará toda a sua vida.
Francisco depõe a espada, obedecendo à palavra de Jesus:
“Todos os que tomam a espada, perecerão pela espada.”
O caminho do diálogo e da paz
A partir desse momento, Francisco torna-se verdadeiramente instrumento de paz. Não só em Assis, mas também além-mar. O encontro com o Sultão é sinal claro de que o diálogo é o único caminho capaz de vencer o ódio e a incompreensão.
A sua paz não se baseava em estratégias políticas nem em equilíbrios de poder. Nascia da pobreza, da liberdade interior e da confiança em Deus.
A paz que nasce da pobreza e do perdão
Quando o bispo de Assis lhe disse que a sua vida era dura por não possuir nada, Francisco respondeu com clareza: a riqueza gera conflitos, litígios e violência. A pobreza, pelo contrário, liberta o coração para o amor de Deus e do próximo.
Esta paz interior revelou-se também quando mediou o grave conflito entre o bispo e o prefeito de Assis. Francisco pediu que se cantasse o Cântico das Criaturas, acrescentando a estrofe do perdão. O resultado foi a reconciliação pública e o abraço da paz.
Um testemunho para hoje
Num mundo ferido por guerras e divisões, São Francisco continua a lembrar-nos que a paz começa dentro de nós. Exige conversão, humildade, perdão e coragem para depor as armas do coração.
Janeiro, mês da paz, é um convite a seguir este caminho simples e exigente, à escola do Pobrezinho de Assis.
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