Autor: Sr. Chiara Papaleo fma
Tradução livre: Frei José Augusto Marques
Neste mês de maio, tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora, somos convidados a contemplar Maria junto da cruz de Jesus. Ali não encontramos discursos nem explicações fáceis. Encontramos uma presença fiel. Uma mãe que permanece. E é precisamente dessa presença que podemos aprender a viver a fé no meio das nossas próprias dores.
O “sim” que atravessa toda a vida
Aos pés da cruz cumpre-se o caminho inteiro de Maria. O seu “eis-me aqui”, pronunciado no anúncio do anjo, continua vivo naquele momento de sofrimento.
Maria não compreendeu tudo desde o início. Mesmo assim disse “sim”. E voltou a dizê-lo no Calvário. Permanece de pé, ferida mas não desesperada, provada mas não revoltada. Confia que Deus continua a agir, mesmo quando tudo parece perder sentido.
Também nós nem sempre entendemos o que Deus prepara. A fé não é possuir todas as respostas. É confiar. É descobrir que estamos mais seguros dizendo “sim” a Deus do que tentando controlar tudo sozinhos.
A vida traz inevitavelmente pequenas e grandes “mortes”: perdas, incompreensões, renúncias, silêncios que ferem. Não podemos evitá-las. Mas podemos atravessá-las com a certeza de que Deus já fez da cruz um caminho de vida e de ressurreição.
Transformar os “se” em “sim”
Ao contemplar Maria sob a cruz, percebemos que toda a sua vida foi uma encarnação concreta do Evangelho. O Magnificat, canto de alegria e gratidão, encontra ali o seu cumprimento mais profundo.
Maria não se perde em lamentos nem em hipóteses imaginárias. Não diz: “Se tudo tivesse sido diferente…” Não recrimina o passado nem se fecha no arrependimento estéril.
Quantas vezes também nós ficamos presos aos nossos “se”:
se tivesse escolhido outro caminho, se tivesse mais tempo, se a minha história fosse diferente…
Maria ensina-nos outra atitude: acolher a própria vida como lugar onde Deus habita. Mesmo com feridas e limites, a nossa história pode tornar-se sagrada. Deus não desperdiça nada. Quando deixamos de viver no mundo dos “se” e começamos a dizer “sim”, abrimos espaço para a sua graça agir.
A fecundidade que nasce da dor
No momento mais difícil para uma mãe, Maria recebe uma nova missão. Ao entregar-lhe o discípulo amado, Jesus confia-lhe toda a humanidade.
A sua maternidade não termina na cruz. Transforma-se. Torna-se mais ampla, mais profunda, mais universal. A dor torna-se fecunda.
Também na nossa vida acontece algo semelhante. Precisamente quando nos sentimos frágeis ou inadequados, Deus continua a chamar-nos e a confiar-nos uma missão. Não retira a sua promessa. Pelo contrário, faz-nos crescer através das feridas.
Com Deus podemos oferecer mais do que pensamos possuir. A graça ultrapassa os nossos cálculos e revela-nos que a verdadeira força nasce da confiança.
Acolher Maria na própria vida
Do alto da cruz, é Jesus quem vê a sua mãe e a entrega ao discípulo. A partir desse momento, Maria torna-se mãe de todos.
Nela encontramos o amor que cuida, protege e acompanha. Por isso, o caminho para Cristo passa muitas vezes pela proximidade com Maria. Ela ensina-nos a dilatar o nosso “sim”, a confiar sem condições e a viver com o coração aberto.
Também hoje Jesus continua a dizer a cada um de nós: “Eis a tua mãe.”
Acolhê-la é deixar que o nosso caminho de fé se torne mais humano, mais confiante e mais cheio de esperança.
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