Por: Frei Alessandro Perissinotto

Janeiro é o mês da paz.
E a paz, para ser verdadeira, precisa de justiça — também de justiça económica.
Por isso, ao começarmos este novo ano, olhamos para um acontecimento importante que marcou novembro passado: o encontro Restarting the Economy, promovido por The Economy of Francesco, em Castel Gandolfo, de 28 a 30 de novembro.
Foi um encontro internacional que reuniu jovens, economistas, religiosos e especialistas vindos de vários países, para refletir sobre a economia à luz do Jubileu: uma economia que cuide da terra, liberte os pobres, reduza desigualdades e abra caminhos de reconciliação.
Temas profundamente em sintonia com o carisma franciscano — especialmente neste tempo em que recordamos o oitavo centenário do Cântico das Criaturas.
Entre os animadores esteve também um amigo da nossa pastoral juvenil vocacional, que partilhou connosco o seu olhar bíblico e espiritual sobre o Jubileu como tempo de renovação.
O texto que apresentamos segue a sua reflexão.
É mais do que uma análise económica: é um convite a parar, respirar e recuperar uma relação saudável com a criação, com o tempo e com a nossa própria vida.
Pára. Respira. Repousa.
Por Stefano Rozzoni
Pára. Respira. Repousa.
Consegues sentir o cansaço da terra?
Consegues ouvir o grito de quem vive sem liberdade, o peso de quem espera perdão?
Se não, respira outra vez antes de continuar.
Em novembro passado vivíamos o décimo primeiro mês do ano jubilar inaugurado pelo Papa Francisco com o lema Spes non confundit — “a esperança não engana” (Rm 5,5).
Um apelo a sermos peregrinos de esperança num tempo em que crescem discursos pessimistas e o futuro parece ameaçado.
Desde a abertura da Porta Santa, a 24 de dezembro de 2024, o mundo mudou muito — e nem sempre para melhor.
As crises sucedem-se, a política muda de rosto, mas os problemas permanecem: desigualdades, exploração, violência, solidão.
Diante disto, o Jubileu faz-nos uma pergunta simples e direta:
Qual foi o meu contributo para a paz, para a justiça, para a esperança?
E lembra-nos que ainda há tempo.
Tempo para recomeçar.
Tempo para repousar.
Tempo para mudar.
O Jubileu, na sua raiz hebraica, é precisamente isso: um tempo de repouso renovador.
Um tempo em que a terra descansava, as propriedades eram restituídas e os escravos recuperavam a liberdade (Lv 25,10).
Três sinais que continuam a falar-nos hoje:
terra, liberdade, perdão.
Isaías retoma esta visão (Is 61,1-2), e Jesus declara-se o cumprimento deste “ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
O Jubileu convida-nos a renovar a aliança com Deus e também a aliança com o mundo.
Vivemos num tempo que desgasta: a terra é explorada, muitos continuam marginalizados, novas formas de pobreza e fragilidade surgem.
Por isso, parar torna-se essencial.
O shabbat — a grande pausa da criação — não é inércia, mas encontro.
É espaço para que Deus volte a respirar connosco.
Sem parar, como podemos transformar-nos?
Sem repouso, como podemos mudar pensamentos, atitudes e estruturas?
Por isso, o Jubileu é também um grande convite coletivo:
um shabbat do mundo, um tempo para reequilibrar relações, recuperar justiça, reabrir espaço para o cuidado.
E, em 2025, esta nova aliança leva-nos ao que o Papa Francisco pediu aos jovens e ao mundo inteiro:
dar uma alma à economia de amanhã, mudar os modelos que geram pobreza, exclusão e violência.
Uma economia injusta nunca poderá gerar paz.
Ainda estamos a tempo.
A tempo para a terra.
A tempo para a liberdade.
A tempo para o perdão.
A tempo para construir paz.
E se ainda não o fizeste:
Pára.
Respira.
Repousa.
Stefano Rozzoni
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